- Trabalhadores de forró de pedestres (lollipop people) em geral enfrentam agressões e abusos no trânsito ao ajudarem crianças a atravessar, incluindo motoristas que aceleram ou engolem sinalizadores.
- Em Ipswich, no distrito de Suffolk, as equipes passaram a usar câmeras corporais para registrar motoristas que se comportam de forma agressiva.
- Dados do Home Office apontam que, em 2024, foram registradas mais de 3,5 milhões de infrações de motorização na Inglaterra e no País de Gales, o maior número desde o início dos registros.
- A campanha Lollipops Aren’t Just for Children busca alertar motoristas de que as pessoas que supervisionam a travessia podem parar o tráfego para qualquer pessoa, não apenas para crianças.
- Lollipop people dizem que a violência e o irritamento dos motoristas aumentaram nos últimos quatro a cinco anos, com relatos de quase colisões durante as suas rondas.
Líderes de passagem de pedestres conhecidos como lollipop people enfrentam agressões no trânsito em todo o país. Em Ipswich, no condado de Suffolk, Lynne Gorrara, de 61 anos, trabalha sob iluminação neon para ajudar crianças a atravessar ruas estreitas entre hospital e comércio. Mesmo com o equipamento de alta visibilidade, motoristas já chegaram a acelerar a 50 mph e fazer gestos de hostilidade.
Para enfrentar esse ambiente hostil, a prefeitura de Suffolk equipou os profissionais com câmeras corporais, utilizadas quando motoristas desafiam as leis de trânsito ou demonstram abuso verbal. O objetivo é documentar incidentes e apoiar ações policiais.
Dados oficiais mostram que, em 2024, as polícias da Inglaterra e País de Gales registraram mais de 3,5 milhões de infrações de trânsito, o maior volume já registrado. Estudos jornalísticos indicam que a criminalidade associada a raiva no trânsito vem crescendo nos últimos anos, com aumento significativo em registros de “road rage” e conduta agressiva.
Em Ipswich, Gorrara convive com dias de maior temor, especialmente no período próximo ao Natal, quando o fluxo de carros aumenta e a paciência se esgota. Mesmo assim, ela afirma sentir satisfação ao servir a comunidade e acompanhar crianças que crescem, indo e voltando da escola.
Michelle Whinney, com 12 anos na função, relata que a agressividade dos motoristas piorou nos últimos quatro a cinco anos. Ela descreve batidas no volante e gestos desrespeitosos durante as abordagens de travessia, e atribui parte da intensificação ao crescimento do número de veículos nas ruas britânicas.
A comunicação entre motoristas e a função dos lollipop people é outro desafio. A campanha Lollipops Aren’t Just for Children busca esclarecer que a atividade de paralisar o trânsito pode beneficiar qualquer pedestre, não apenas crianças. A carência de compreensão sobre o papel desses profissionais costuma gerar desentendimentos no momento da travessia.
Outras cidades também adotaram câmeras corporais para lollipop people, com uso já observado em Greater Manchester, Clacton e Basildon. A repercussão prática inclui orientações mais firmes por parte da polícia e, em alguns casos, aplicação de multas a motoristas agressivos.
O supervisor local Andy Patmore ressalta que lollipop people representam pessoas que também enfrentam riscos no trânsito, repetindo que abusos ferem emocionalmente quem está em serviço. Ele orienta motoristas a manterem o respeito e evita a normalização da violência.
Antiga tradição de quase 90 anos, a atuação dos lollipop people remonta a Bath, em 1937. Ao longo do tempo, mudanças legais reduziram o número de profissionais, alimentando debates sobre custos públicos e prioridades de mobilidade. Em meio a esse cenário, a segurança de crianças continua como foco central.
Profissionais e familiares costumam enfatizar a importância de ver esses trabalhadores como pontos de referência de segurança. Abby Hart, mãe que passa pela região, destaca o papel humano e a gentileza de Gorrara e Whinney, reforçando que a presença facilita a travessia segura para os filhos.
Apesar das dificuldades, Gorrara mantém a motivação diária para retornar ao posto. A história de vida da lollipop person ganhou ainda mais significado para ela recentemente, com uma perda pessoal que reforça o propósito de servir à comunidade.
No contexto nacional, a queda no número de lollipop people contrasta com o aumento de riscos nos deslocamentos diários, especialmente para crianças. A defesa da visibilidade, da educação de motoristas e de medidas de proteção continua entre as prioridades das autoridades locais e da sociedade civil.
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