- Mensagens divulgadas pelo site Intercept mostram Flávio Bolsonaro cobrando que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro arcasse com dívidas de produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, que tem estreia prevista para setembro de 2026, estrelado por Jim Caviezel.
- Vorcaro teria pago pouco mais de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025; o restante, total de R$ 134 milhões, não foi transferido por causa da Operação Compliance Zero, que prendeu o banqueiro.
- Flávio Bolsonaro não negou os valores e afirmou que não há problema em obter recursos privados para um filme, repassando nota em tom semelhante sobre patrocínio privado e ausência de dinheiro público ou da Lei Rouanet.
- A GOUP Entertainment, produtora do filme, nega ter recebido recursos de Vorcaro ou do Banco Master; a empresa tem sede nos Estados Unidos e pertence a Karina Ferreira da Gama.
- Se os valores forem confirmados, Dark Horse seria o filme mais caro da história do cinema brasileiro, superando orçamentos de produções premiadas.
O filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro com Jim Caviezel no elenco, está no centro de uma controvérsia financeira. Documentos divulgados pelo Intercept mostram Flávio Bolsonaro cobrando de Daniel Vorcaro financiamento para cobrir dívidas de produção. A estreia está prevista para setembro de 2026.
Segundo as mensagens, Vorcaro teria pago pouco mais de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. O restante, que elevaria o custo total para cerca de R$ 134 milhões, não foi transferido devido à operação Compliance Zero, que resultou na prisão do ex-banqueiro. Flávio Bolsonaro, em vídeo, não negou os valores, afirmando que não há problema em captar recursos privados para um filme privado sobre o próprio pai.
A GOUP Entertainment, responsável pela produção, nega ter recebido recursos de Vorcaro ou do Banco Master. A empresa tem sede nos Estados Unidos e pertence à brasileira Karina Ferreira da Gama. Mesmo com as possíveis tratativas, o orçamento total ainda não foi confirmado pelas partes envolvidas. A produção tem parte do trabalho nos EUA.
Filmes nacionais mais caros
Se confirmados os valores, Dark Horse seria o filme brasileiro mais oneroso já produzido. A seguir, lista de alguns títulos nacionais com custos elevados ao longo da história do cinema do país:
1. Amazônia, Planeta Verde (2013) — orçamento de aproximadamente US$ 22 milhões na época, hoje estimado em cerca de R$ 61,5 milhões. Coprodução Brasil-França, dirigido por Fabiano Gullane e Stéphane Millière.
2. Ainda Estou Aqui (2024) — produção orçada em R$ 45 milhões, produção de Walter Salles sobre a vida de Eunice Paiva, mãe do cineasta.
3. Cidade de Deus (2002) — orçamento de US$ 3,3 milhões, hoje em torno de R$ 30 milhões, sob direção de Fernando Meirelles.
4. Corrida dos Bichos (2025) — ficção científica distópica, orçamento de R$ 28 milhões, com direção de Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento e Ernesto Solise.
5. O Agente Secreto (2025) — orçamento de R$ 28 milhões, dirigido por Kleber Mendonça Filho.
6. Central do Brasil (1998) — orçamento de US$ 2,2 milhões, hoje cerca de R$ 22,1 milhões, dirigido por Walter Salles.
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