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Gurgel e o primeiro carro elétrico da América Latina

Gurgel lançou a primeira linha de carros elétricos da América Latina, incluindo Itaipu E-150 e E-400, mas o volume de vendas ficou abaixo do esperado

Fonte: Gurgel/Divulgação
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  • A Gurgel foi fundada em 1º de setembro de 1969 em São Paulo, criada por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, com foco em veículos nacionais e elétricos.
  • O primeiro carro da marca foi o buggy Ipanema; a linha incluiu modelos como Xavante XT, XEF, Carajás, Itaipu E-150 (primeiro carro elétrico da América Latina) e BR-800.
  • A linha Itaipu ganhou notoriedade com o E-150, protótipo de duas pessoas, em 1974, e o E-400, primeiro elétrico brasileiro fabricado em série, em 1981.
  • O BR-800, lançado em 1987, era 100% nacional e teve venda limitada a quem também adquirisse ações da empresa; o projeto recebeu o nome CENA (Carro Econômico Nacional) antes de ser alterado.
  • A Gurgel enfrentou dificuldades na década de noventa, entrou em concordata e encerrou atividades em 1996; a marca vendeu cerca de 40 mil veículos e atuou em quarenta países.

A história da Gurgel representa uma parte marcante da indústria automotiva brasileira. Nascida em São Paulo, a empresa foi criada para romper um mercado global já estabelecido, com foco em carros fabricados no Brasil. O percurso é curto, porém cheio de marcos.

Fundada em 1º de setembro de 1969, a Gurgel surgiu sob o impulso de João Gurgel, engenheiro que acreditava no potencial nacional. O objetivo era produzir modelos de montagem local, com tecnologia própria, em meio a turbulências econômicas e políticas nacionais.

João Gurgel, nascido em 1926, virou referência ao combinar paixão por veículos com empreendedorismo. Ele chegou a trabalhar na GM e na Ford, e criou várias empresas anteriores ao nascimento da montadora. Essencial foi sua visão de veículos 100% nacionais.

O primeiro veículo da marca foi o buggy Ipanema, feito com fibra de vidro para enfrentar terrenos diversos. Em 1975, uma grande fábrica foi inaugurada em Rio Claro, ampliando a produção e consolidando a presença da empresa.

Itaipu E-150 e a linha elétrica

A linha de carros elétricos nasceu em 1974, batizada em homenagem à usina de Itaipu. O protótipo E-150 levou duas pessoas e exigia cerca de seis horas de carregamento. Embora não tenha ido a produção em série, ficou marcado como o primeiro carro elétrico da América Latina.

Em 1981, a Gurgel lançou o E400, o primeiro elétrico brasileiro produzido em série. O modelo era utilizado por estatais e tinha autonomia em torno de 80 km, velocidade máxima de 50 km/h e baixo ruído. Variantes como o E500 foram desenvolvidas posteriormente.

Apesar do impulso tecnológico, as baterias da época apresentavam alto custo, peso e limitação de desempenho. O interesse do público era menor e o país não estava preparado para uma ampla adoção de elétricos, freando a expansão da linha.

BR-800 e o desafio de nacionalizar a indústria

O BR-800 nasceu em 1987, com a meta de ser 100% nacional. O projeto recebeu o nome Carro Econômico Nacional, que acabou encurtado para BR-800 após evitar um conflito de nomes com a família de Ayrton Senna. O veículo tinha fibra de vidro e motor de dois cilindros, voltado ao uso urbano.

As vendas começaram de forma diferenciada, com participação acionária da empresa. O BR-800 conquistou mercado por preço competitivo e impostos reduzidos promovidos pelo governo, contribuindo para a presença da marca no Brasil.

Desafios e fim da empresa

Durante a década de 1990, a Gurgel enfrentou concorrência externa estimulada por políticas de abertura econômica. Em 1991, a empresa buscou crédito bancário, e depois tentou novas instalações no Ceará e em Minas Gerais. Sem o suporte prometido, declarou concordata em 1992 e encerrou atividades em 1996.

O legado de João Gurgel permanece presente na memória industrial do país. Estima-se que foram cerca de 40 mil veículos vendidos e atuação em 40 países, com a Gurgel sendo vista como pioneira em montagem e veículos elétricos nacionais.

A história da marca é lembrada por fãs, historiadores e colecionadores, que promovem encontros para celebrar modelos como o Itaipu E-150 e outros carros que marcaram a mobilidade brasileira.

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