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Doireann Ní Ghríofa comenta recuperação da depressão

Doireann Ní Ghríofa transforma relatos de pacientes de um asilo vitoriano em reflexão sobre saúde mental, memória histórica e ética da pesquisa

Doireann Ní Ghríofa.
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  • Doireann Ní Ghríofa lança Said the Dead, seu novo livro, que reúne relatos de pacientes de um antigo hospital psiquiátrico vitoriano em Cork, Irlanda.
  • A autora pesquisou em arquivos da cidade, lendo os prontuários de internos homens e mulheres, e visitou o edifício em reforma onde o hospital já funcionou.
  • O livro explora histórias de mulheres cujos casos aparecem nos prontuários, incluindo descrições de seus estados físicos e mentais e situações de doença, risco e possível recuperação.
  • A obra também destaca figuras médicas pioneiras, como a doutora Lucia Strangman e o doutor John FitzGerald, que trabalharam para transformar o modelo de tratamento e reduzir o papel do hospício.
  • Ní Ghríofa reflete sobre a ética da pesquisa, a confiabilidade dos prontuários históricos e o desafio de contar vidas que não consentiram com a leitura de seus relatos, com lançamento previsto para vinte e um de maio pela editora Faber.

Doireann Ní Ghríofa lança Said the Dead, livro que reúne biografia, memória e pesquisa sobre pacientes de um hospital psiquiátrico vitoriano em Cork. A autora descreve o olhar atento sobre as mulheres retratadas nos prontuários, acumulando dados históricos e pessoais.

A obra nasce do mergulho da escritora em arquivos da cidade, onde leu os prontuários de pacientes internos. Além da curiosidade, houve urgência de conhecer as histórias das mulheres, especialmente aquelas cujos nomes existem apenas nesses registros.

Ní Ghríofa, hoje com 45 anos, cresceu em County Clare e enfrentou depressão aos 17, o que a aproximou de temas de saúde mental. Ela vive com a família em Cork e usa a escrita para explorar memórias do passado.

Foco na pesquisa e no ambiente

A autora visitou o hospital, hoje em parte reformado, onde acompanhou o local enquanto as obras avançavam. Ela descreve a sensação de proximidade com as pacientes ao observar banhos, andares e janelas, como se pudesse “ver” onde cada mulher esteve.

Os relatos apresentados nos prontuários são da visão dos médicos, o que exige cautela. Ní Ghríofa ressalta que anotações clínicas podem não representar a vida inteira das pacientes e, às vezes, são ambíguas ou parciais.

Desafios éticos da investigação

A escritora reconhece o dilema ético de explorar identidades históricas sem consentimento. Questiona o equilíbrio entre memória histórica e proteção das indivíduos mencionados, tema comum em casos de arquivos de instituições de saúde.

O livro também destaca o papel de profissionais pioneiros, como a médica Lucia Strangman, que junto do marido criou uma clínica ambulatorial inovadora. O enfoque não é apenas na instituição, mas nas tentativas de reformar o atendimento.

Reflexões sobre memória e legado

Said the Dead investiga como as palavras dos médicos moldam a percepção sobre as mulheres. A autora aponta que as fontes são moldadas por tempo, contexto e relações de poder, o que exige leitura crítica.

Ní Ghríofa usa a narrativa para discutir o impacto emocional do passado. A obra também retrata as condições de vida das mulheres na Irlanda do século XIX, quando a pobreza e a pressão social influenciavam o destino de muitas pessoas.

Publicação e contexto

Said the Dead será publicado pela editora Faber em 21 de maio. O trabalho faz parte de uma linha que combina memória, história e literatura, ampliando a compreensão sobre instituições psiquiátricas na Irlanda.

A autora ressalta que a narrativa flerta entre reconstrução histórica e ética da leitura de arquivos. O objetivo é oferecer uma visão cuidadosa das histórias que não foram completamente registradas pela memória oficial.

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