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Adriana Varejão critica rótulo de arte política para artistas latinos

Adriana Varejão critica cobrança por arte política no pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza, apresentando obras que revelam violência colonial sem rótulos

A artista plástica Adriana Varejão em abertura de mostra em Lisboa em 2025
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  • Adriana Varejão, junto com Rosana Paulino, comanda o pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza, que abriu suas portas no fim de semana.
  • A edição é tida como uma das mais controversas, com a reabertura do pavilhão russo e debates sobre omissões em relação a Israel, Irã e outros países.
  • Na mostra Comigo Ninguém Pode, Varejão apresenta releituras de azulejos portugueses e uma instalação de quase cem metros que parece explodir paredes e vigas, explorando violência institucional.
  • A artista discorda de leituras que reduzem o trabalho a mensagem política, defendendo que a obra vai além de teoria e envolve experimentação de técnicas e materiais.
  • A Bienal opera como palco de soft power, com países definindo o que exibem, o que pode gerar visibilidade e influência internacional, segundo Varejão.

A Bienal de Veneza abriu suas portas com uma das edições mais tumultuadas de sua história. O pavilhão brasileiro, dirigido pela artista Adriana Varejão em parceria com Rosana Paulino, figura entre os pontos de atenção da mostra. A feira acumula controvérsias desde a reabertura do pavilhão russo, lacrado desde 2022 após a invasão à Ucrânia.

A curadoria, liderada pela brasileira Solange Farkas, teve pedido de demissão pouco antes da abertura, após críticas à condução da exposição. A instituição promove votação pública para escolher o Leão de Ouro, enquanto algumas nações e artistas recusam a premiação. O Brasil participa com produção própria.

A mostra do pavilhão brasileiro

Na instalação Comigo Ninguém Pode, Varejão apresenta obras do acervo e inéditas. Entre elas, releituras de azulejos portugueses que desafiam o código estético barroco. A artista expõe ainda uma instalação de quase cem metros que transforma paredes e vigas em “vísceras” de tinta, resina e barro.

A leitura crítica da obra varia entre críticos e curadores. Paralelamente, a nomenclatura Still Life Amid Ruins sugere, em tradução livre, a permanência de vida em meio às ruínas, trazendo questionamentos sobre violência histórica e estruturas institucionais.

Interpretações e trajetória

Para Varejão, a obra não se reduz a mensagem política. A artista ressalta que a produção envolve várias técnicas e processos que podem levar meses. Em Veneza, o tema da colonização aparece como contexto histórico, sem restringir a diversidade de leituras da produção.

A carreira da carioca já a levou a ter obras em acervos de grandes museus internacionais, como Tate Modern, MoMA, Met e Guggenheim. Em leilões, atingiu recorde de valor para um artista brasileiro vivo em 2011, com uma de suas obras chegando a £ 1,1 milhão.

A dimensão internacional e o papel dos pavilhões

Varejão comenta que países estruturam seus pavilhões com recursos públicos ou institucionais, o que influencia a curadoria. Ela afirma que, alguns casos, o espaço é ligado ao governo, o que difere de outras nações. A Bienal é vista como vitrine de soft power para países anfitriões.

A edição atual recebeu cerca de 700 mil visitantes na última edição, com grande participação internacional. A obra brasileira no pavilhão, segundo a artista, busca colocar em evidência vozes históricas que muitas vezes ficam à margem da narrativa dominante.

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