- Adriana Varejão, junto com Rosana Paulino, comanda o pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza, que abriu suas portas no fim de semana.
- A edição é tida como uma das mais controversas, com a reabertura do pavilhão russo e debates sobre omissões em relação a Israel, Irã e outros países.
- Na mostra Comigo Ninguém Pode, Varejão apresenta releituras de azulejos portugueses e uma instalação de quase cem metros que parece explodir paredes e vigas, explorando violência institucional.
- A artista discorda de leituras que reduzem o trabalho a mensagem política, defendendo que a obra vai além de teoria e envolve experimentação de técnicas e materiais.
- A Bienal opera como palco de soft power, com países definindo o que exibem, o que pode gerar visibilidade e influência internacional, segundo Varejão.
A Bienal de Veneza abriu suas portas com uma das edições mais tumultuadas de sua história. O pavilhão brasileiro, dirigido pela artista Adriana Varejão em parceria com Rosana Paulino, figura entre os pontos de atenção da mostra. A feira acumula controvérsias desde a reabertura do pavilhão russo, lacrado desde 2022 após a invasão à Ucrânia.
A curadoria, liderada pela brasileira Solange Farkas, teve pedido de demissão pouco antes da abertura, após críticas à condução da exposição. A instituição promove votação pública para escolher o Leão de Ouro, enquanto algumas nações e artistas recusam a premiação. O Brasil participa com produção própria.
A mostra do pavilhão brasileiro
Na instalação Comigo Ninguém Pode, Varejão apresenta obras do acervo e inéditas. Entre elas, releituras de azulejos portugueses que desafiam o código estético barroco. A artista expõe ainda uma instalação de quase cem metros que transforma paredes e vigas em “vísceras” de tinta, resina e barro.
A leitura crítica da obra varia entre críticos e curadores. Paralelamente, a nomenclatura Still Life Amid Ruins sugere, em tradução livre, a permanência de vida em meio às ruínas, trazendo questionamentos sobre violência histórica e estruturas institucionais.
Interpretações e trajetória
Para Varejão, a obra não se reduz a mensagem política. A artista ressalta que a produção envolve várias técnicas e processos que podem levar meses. Em Veneza, o tema da colonização aparece como contexto histórico, sem restringir a diversidade de leituras da produção.
A carreira da carioca já a levou a ter obras em acervos de grandes museus internacionais, como Tate Modern, MoMA, Met e Guggenheim. Em leilões, atingiu recorde de valor para um artista brasileiro vivo em 2011, com uma de suas obras chegando a £ 1,1 milhão.
A dimensão internacional e o papel dos pavilhões
Varejão comenta que países estruturam seus pavilhões com recursos públicos ou institucionais, o que influencia a curadoria. Ela afirma que, alguns casos, o espaço é ligado ao governo, o que difere de outras nações. A Bienal é vista como vitrine de soft power para países anfitriões.
A edição atual recebeu cerca de 700 mil visitantes na última edição, com grande participação internacional. A obra brasileira no pavilhão, segundo a artista, busca colocar em evidência vozes históricas que muitas vezes ficam à margem da narrativa dominante.
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