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Homem que matou pai abusivo e cumpriu 12 anos recebe apoio da família

Após matar o pai abusivo e cumprir doze anos, Moisés recebe defesa da família pela libertação em meio a debate nacional sobre violência doméstica no Uruguai

Moisés e Sara Martínez — Foto: BBC: SARA MARTÍNEZ
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  • Moisés Martínez, 28 anos, matou o pai, Carlos Martínez, a tiros em maio de 2025, após descobrir abusos contra a mãe e as irmãs; ele se entregou dois dias depois de ficar ao lado do corpo.
  • O crime ocorreu nos subúrbios de Montevidéu e o julgamento foi transmitido ao vivo pelo YouTube, gerando grande comoção no Uruguai.
  • Moisés foi condenado a doze anos de prisão; as irmãs e a mãe defendem a libertação dele e pretendem recorrer da sentença.
  • Sara Martínez descreve anos de abusos físicos e sexuais cometidos por Carlos e afirma que o pai era uma figura de terror na vida da família.
  • A juíza María Noel Odriozola negou o perdão judicial previsto pelo Código Penal; o caso provocou debate público sobre o papel do Estado na proteção contra violência doméstica.

Moisés Martínez, de 28 anos, ficou preso por 12 anos após ter atirado contra o pai, Carlos Martínez, em Montevidéu, no Uruguai. O crime ocorreu em maio de 2025, após Moisés tomar conhecimento de abusos que envolviam sua mãe e suas irmãs. A defesa alega legítima defesa e o caso ganhou repercussão nacional.

Segundo Sara Martínez, irmã de Moisés, o pai cometia abusos físicos e sexuais contra também as filhas, quando eram crianças. Ela relata que o histórico só veio à tona durante o processo judicial, revelando um ambiente de medo constante na família.

O episódio-chave ocorreu no dia seguinte à descoberta dos abusos, quando Moisés matou o pai a tiros e permaneceu ao lado do corpo por dois dias, até se entregar. A justiça impôs a pena de 12 anos em regime fechado, após um julgamento transmitido ao vivo pelo YouTube e amplamente discutido no país.

A família afirma que o pai era uma figura de controle, capaz de provocar terror mesmo ausente. Sara descreve episódios de violência que teriam ocorrido aos poucos, com abusos noturnos relatados por ela e pela irmã mais nova, Ana.

A mãe, Mercedes Pereira, e as irmãs defendem que Moisés deveria ter recebido perdão judicial ou uma pena menor. Alegam que a família não utilizou de forma adequada mecanismos de proteção disponíveis, o que motivou o endurecimento da decisão.

Durante o julgamento, a juíza Maria Noel Odriozola rejeitou o perdão previsto pelo código penal, citando a ausência de denúncias formais ao longo de anos como indicativo de falha no uso de recursos de proteção. O caso fomentou um debate público sobre o papel do Estado na proteção de vítimas de violência doméstica.

Ao anunciar a sentença, a magistrada ressaltou que a defesa não logrou demonstrar que a violência prolongada configurasse circunstância que justificasse o perdão judicial. A decisão provocou indignação e, ao mesmo tempo, apoio entre familiares de Moisés que o acompanham.

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, recebeu as irmãs Ana e Sara em audiência privada, em meio à comoção do país. O caso segue sob análise de recursos judiciais por parte da defesa de Moisés e da família.

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