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UFJF publica carta de retratação sobre cadáveres de hospital psiquiátrico

UFJF divulga retratação pelo uso de cadáveres do Hospital Colônia de Barbacena; anuncia reparação simbólica, memorial e campanhas de direitos humanos

Hospital Colônia em Barbacena
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  • A UFJF pediu desculpas, nesta segunda-feira, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, afirmando ter deteriorado corpos e a dignidade de falecidos no Hospital de Barbacena.
  • Registros do Instituto de Ciências Biológicas mostram que cento e sessenta e nove corpos do Hospital Colônia foram usados em atividades didáticas de anatomia entre 1962 e 1971.
  • O livro Holocausto Brasileiro aponta que 1.853 corpos de internos do local teriam sido comercializados para instituições de ensino.
  • A universidade vai adotar medidas de reparação simbólica, criar memorial e promover campanhas de direitos humanos e saúde mental, além de apoiar pesquisas documentais sobre os registros com o Hospital Colônia.
  • A UFJF reafirma compromisso com a Reforma Psiquiátrica e a Luta Antimanicomial; desde 2010, o Programa de Doação Voluntária de Corpos Sempre Vivo assegura que os corpos recebidos sejam apenas por doação voluntária.

A UFJF pediu desculpas publicamente nesta segunda-feira, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, reconhecendo falhas associadas aos cadáveres usados no Hospital Colônia de Barbacena. A declaração ocorreu em meio a relatos sobre o tratamento dado a falecidos na instituição psiquiátrica.

Segundo a universidade, 169 corpos chegaram ao Instituto de Ciências Biológicas entre 1962 e 1971 para uso em atividades didáticas de anatomia em cursos da área da saúde. A carta oficial admite deterioração da dignidade e dos corpos dos falecidos no antigo hospital.

A manifestação ocorre no contexto de discussões sobre direitos humanos na saúde mental no Brasil. Historicamente, o Hospital Colônia de Barbacena é citado em relatórios e na literatura como palco de violações de direitos, com números que impressionam pela magnitude.

Medidas de reparação e compromisso institucional

A UFJF afirma que adotará medidas simbólicas de reparação, alinhadas às recomendações da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão da Procuradoria da República em Minas Gerais. Entre as ações, estão campanhas de conscientização sobre direitos humanos e saúde mental e a criação de um memorial.

A universidade também planeja ampliar iniciativas de pesquisa documental sobre os registos entre a instituição e o Hospital Colônia. Além disso, reforçarão o ensino sobre doação voluntária de corpos e a ética envolvida no tema.

Desde 2010, o Departamento de Anatomia do ICB mantém o Programa de Doação Voluntária de Corpos – Sempre Vivo, com atendimento estritamente a doações voluntárias. A instituição afirma que, desde então, todos os corpos recebidos cumprem normas vigentes e respeitam a dignidade humana.

A UFJF reitera seu compromisso com avanços em políticas de saúde mental no Brasil, reconhecendo conquistas da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial. A universidade enfatiza a importância de serviços de saúde mental com assistência integral e qualificada.

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