- A mostra Matéria e Energia, no Masp em São Paulo, destaca a obra Cosmic Thing de Damián Ortega, com um fusca flutuando entre peças pendentes como pneus, portas e painéis.
- É a primeira exposição panorâmica do artista na América do Sul, reunindo trabalhos que vão desde instalações grandiosas até peças minimalistas.
- Ortega desmonta objetos do cotidiano para revelar forças invisíveis e engrenagens sociais que sustentam estruturas de poder, como em Controlador del Universo, cercado por ferramentas ao redor de um centro vazio.
- A exposição inclui vídeos e performances, com cenas como cordas erguendo o fusca ou uma disputa de cabo de guerra, explorando o caráter lúdico do trabalho e o peso social dos objetos.
- O curador Yudi Rafael ressalta que o processo antropomorfiza o inanimado e que a obra convida o público a enxergar outras possibilidades a partir do concreto, conectando história, técnica e leitura crítica.
Damián Ortega chega à cidade com uma leitura contundente do cotidiano. Em exposição no Masp, a mostra Matéria e Energia apresenta uma leitura de suas obras que desmontam objetos comuns para revelar forças invisíveis por trás das estruturas sociais e políticas.
A mostra é destacada como a primeira panorâmica do artista na América do Sul. No conjunto, peças como o fusca que explode e objetos cotidianamente familiares são dissecados para questionar a relação entre matéria, energia e poder.
No Masp, pneus, portas e painéis flutuam suspensos, como se o espaço expositivo fosse um laboratório de física e de crítica social ao mesmo tempo. A obra central, o fusca, parece ter saído da Avenida Paulista para uma sala de exposição, enquanto se desmantela em várias camadas.
Obras em foco
Entre as peças, a instalação Controlador del Universo reúne serras, machados e ferramentas ao redor de um centro vazio. O conjunto aponta para direções opostas, sugerindo múltiplos caminhos de leitura.
Yudi Rafael, curador da mostra, explica que os experimentos visam antropomorfizar o inanimado. A curadoria enfatiza que Ortega transforma objetos em propostas que convidam o público a ver além da superfície.
A exposição também apresenta trabalhos mais minimalistas, como uma lâmpada com vela no lugar do filamento, e peças que expandem pedras pelo espaço para simular o núcleo da Terra. Em vídeos, cordas levantam o fusca de cabeça para baixo, em uma aproximação entre ciência e performance.
Ramos de pesquisa do artista unem uma trajetória que envolve o uso de objetos de paisagem urbana, como foices, e a revisita de temas pré-colombianos. Tal mixagem dialoga com a história e com a prática artística contemporânea.
Ortega, que iniciou a carreira como cartunista nos anos 1980, mantém uma linha de trabalho que cruza o lúdico com o potencial crítico do cotidiano. A mostra amplia esse percurso, conectando o Sul ao Norte, conforme ele relata.
Outro eixo da exposição aponta para trabalhos com tijolos, gramados e superfícies que revelam pegadas humanas. A leitura enfatiza o papel do espectador na construção de sentido, por meio da tridimensionalidade das obras.
A curadoria ressalta ainda que as obras não buscam apenas uma leitura estética, mas uma tradução de condições históricas e sociais presentes na cidade e na produção artística contemporânea.
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