- Transtorno dismórfico corporal (TDC) faz pessoas se fixarem em supostas imperfeições da aparência, não é vaidade; afeta entre dois e três por cento da população e geralmente surge na adolescência.
- Estudos indicam que o cérebro de quem tem TDC processa imagens de modo diferente, com áreas que interpretam imagens de forma global menos ativas.
- Sintomas incluem isolamento, evitar trabalho ou escola e passar longos períodos em comportamentos repetitivos, como examinar o próprio corpo ou buscar validação constante.
- O tratamento costuma ser a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que pode levar à remissão em boa parte dos pacientes; em alguns casos, há uso de antidepressivos e, quando grave, combinação de terapia e medicação.
- Casos individuais mostram melhoria com TCC; pessoas passam a enxergar sua identidade além da aparência, destacando papéis como filha, profissional e cuidadosa.
Mandy Rosenberg, 35, convive com uma percepção distorcida de sua própria aparência desde a adolescência. Embora tenha cabelos loiros, olhos azuis e corpo definido, ela se fixava em uma mancha quase imperceptível na testa, chegando a se aproximar do espelho em atitudes extremas. O registro de sua experiência ilustra como o transtorno dismórfico corporal pode levar à procura de validação e isolamento.
Especialistas alertam que esse transtorno, muitas vezes confundido com vaidade, envolve sofrimento intenso e afeta o dia a dia. Pessoas com TDC podem se afastar de relacionamentos, trabalho ou escola e dedicar longas horas a examinar a própria imagem ou buscar repetidas opiniões alheias.
O que é o transtorno dismórfico corporal
Pessoas com TDC se concentram em detalhes que parecem irrelevantes para terceiros. O transtorno costuma surgir na adolescência e atinge entre 2% e 3% da população, embora a subdiagnosticação possa impedir números precisos. Pesquisas indicam diferenças na atividade cerebral relacionada ao processamento de imagens.
Sinais e sintomas
Quem tem TDC pode evitar convívios sociais, perder interesse por atividades e gastar tempo excessivo com rituais de observação. Alguns pacientes recorrem a chats com inteligência artificial em busca de validação, conforme relatos de terapeutas.
Entre as comorbidades, destacam-se depressão, fobia social, TOC e transtornos por uso de substâncias. Estudos apontam altas taxas de ideação suicida e de tentativas ao longo da vida.
Como é o tratamento
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem eficácia variável, com muitos pacientes alcançando remissão. A TCC costuma incluir técnicas de exposição e prevenção de resposta, ajudando o paciente a enfrentar situações evitadas. Também há indicação de uso de inibidores de recaptação de serotonina, especialmente em doses elevadas, com a combinação de medicamentos e psicoterapia recomendada em casos graves.
Rosenberg relata que a TCC foi eficaz em seu caso. Como parte do tratamento, ela desenvolveu um diagrama de identidade, destacando aspectos como filiação, fé, cuidado com animais, profissão e valores pessoais, para além da aparência física. O objetivo é reduzir a dependência da imagem corporal para guiar a vida cotidiana.
Entre na conversa da comunidade