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Livro analisa passado e presente da viola caipira

Livro analisa a viola caipira como ponte entre campo e cidade, destacando evolução, novas expressões e a resistência dos violeiros

A viola caipira: “A evolução na prática artística do instrumento foi sempre condicionada pela relação campo-cidade” - Foto: Brazdaviola - wikipedia
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  • Livro Uma Sociologia da Viola Caipira: os Mestres de Ontem e de Hoje, de Luiz Antonio Guerra, chega pela Editora da USP (Edusp) e reúne pesquisa de doutorado de 2017 a 2021.
  • A obra relaciona música e sociedade, destacando como a identidade da viola caipira está ligada às técnicas musicais e aos usos pelos violeiros em contextos rurais e urbanos.
  • O livro tem duas partes: a primeira aborda a história do instrumento, desde a Península Ibérica até a chegada ao Brasil e sua trajetória na indústria fonográfica; a segunda foca na atualidade, com abordagem etnográfica e entrevistas com 66 músicos.
  • O conjunto inclui desde violeiros famosos — como Almir Sater, Léo Canhoto e Gusttavo Lima — até nomes menos conhecidos, além de tratar da “nova viola brasileira” e da presença da viola em gêneros como sertanejo, MPB e música universitária.
  • Guerra enfatiza a relação campo-cidade como motor da evolução da viola, mostra a diversidade de usos hoje e aponta transformações socioculturais do rural ao urbano no Centro-Sul do Brasil.

A obra Uma Sociologia da Viola Caipira: os Mestres de Ontem e de Hoje, de Luiz Antonio Guerra, chega às livrarias pela Editora da USP (Edusp). O livro nasce da tese de doutorado defendida entre 2017 e 2021 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

De conteúdo amplo, a publicação busca ligar música e sociedade por meio da sociologia rural e da cultura. O foco, segundo o autor, está na identidade cultural da viola caipira e em como suas técnicas moldam esse conceito.

Agressando o público, o autor destaca que o estudio se baseia em pesquisas bibliográficas, fonográficas e em 66 entrevistas com violeiros. O material abrange desde celebridades até figuras pouco conhecidas.

O que, quem e como

Guerra, também violeiro, descreve a trajetória do instrumento desde a Península Ibérica até o Brasil colonial. A obra analisa a entrada da viola na indústria fonográfica, com as gravações iniciais patrocinadas por Cornélio Pires em 1929.

O livro percorre o amadurecimento da música caipira ao longo do século 20, incluindo o advento de estilos estrangeiros e o declínio da viola nas duplas sertanejas. Também aborda a presença da viola na MPB, em peças como Disparada e Ponteio.

Perspectiva histórica e atualidade

Na primeira parte, Guerra apresenta a relação entre campo e cidade na prática artística da viola. A segunda parte adota abordagem etnográfica para a atualidade, com folias de reis, catira e violeiros urbanos ganhando espaço.

O autor aponta a emergência da “nova viola brasileira”, que expande o instrumento para diferentes vertentes musicais. Também destaca orquestras de violeiros e o aumento da escolarização, inclusive via meios digitais.

Campo, cidade e identidade

Guerra descreve o mundo rural do Centro-Sul do Brasil como claves para entender a viola. O livro enfatiza que a noção de caipira mudou, tornando-se uma categoria cultural com uso amplo, urbano e rural.

A obra mapeia as disputas por autenticidade entre violeiros, entre quem valoriza a tradição e quem busca atualização. Diversos entendimentos sobre o que é ser caipira refletem práticas musicais distintas.

Sobre o autor e o contexto

Entre os entrevistados estão nomes como Almir Sater, Léo Canhoto, Gusttavo Lima, Ivan Vilela, Tavinho Moura e Zé Mulato. A publicação enfatiza que a viola está integrada a vários espaços da música brasileira, do sertanejo ao universitário.

O livro, com 320 páginas, está disponível por R$ 66,00. A obra reafirma a relação inseparável entre viola caipira, memória rural e identidades contemporâneas, segundo a edição da Edusp.

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