- Trabalhadores de jornais locais sob propriedade da Hearst denunciam tentativa de “destruir sindicatos”, com acusações de violação de contratos e negociação de má-fé.
- O Albany Newspaper Guild, que representa o Times Union em Albany, Nova Iorque, afirma que não há contrato há mais de dezessete anos e pouco avanço rumo a um novo acordo.
- Ponto de tensão inclui salários estagnados, custo de vida alto e dedutíveis de plano de saúde mais caros; há preocupação com possível terceirização por inteligência artificial.
- A Hearst afirma que não comenta reclamações em andamento, mas que atua de boa-fé nas negociações e que mantém aumento de salário por mérito e política de supervisão humana na IA; também diz manter salários competitivos e benefícios.
- Em outros jornais, mudanças de contrato e ações junto ao NLRB ocorreram em Austin, Dallas e Connecticut após aquisições; Hearst promete retomar negociações de boa-fé com o Connecticut NewsGuild em junho.
Ações de Hearst sob escrutínio de sindicatos nos jornais locais geram acusações de tentativas de enfraquecer a atuação dos trabalhadores. Trabalhadores de redação com contratos vigentes questionam condutas da empresa, incluindo suposto descumprimento de termos trabalhistas e negociação de má-fé.
A Albany Newspaper Guild, que representa o Times Union, afirma que o acordo pode ter ficado parado por mais de 17 anos, com pouca perspectiva de avanço. A greve de fornecedores de conteúdo e o custo de vida mais alto são citados como pressões para os funcionários.
A presidente da guilda de Albany e repórter de Albany, Wendy Liberatore, aponta ainda preocupações sobre eventual terceirização de funções com o uso de inteligência artificial. A situação é apresentada como um padrão observado em várias unidades da empresa nos EUA.
Contexto da Hearst e posição da empresa
A Hearst Corporation é uma das maiores empresas de mídia do mundo, com dezenas de jornais diários e semanais. Em 2025, a companhia registrou receita e lucro recordes, ampliando o quadro de empregados nas redações. A empresa não comenta casos específicos de práticas trabalhistas pendentes.
A empresa afirma manter negociação em boa fé e ter conversado com representantes sindicais ao longo de muitos anos. Em resposta, a Hearst sustenta que remunera salários competitivos, com ciclos de mérito e aumentos para funcionários que cumprem desempenho, inclusive durante negociações.
A Hearst também sustenta que há uma política restrita para o uso de inteligência artificial nas redações, sempre com supervisão humana. Em relação a aquisições, a companhia cita mudanças de contratos após a compra de veículos de mídia, destacando ajustes que, segundo a empresa, beneficiaram os trabalhadores com bônus de assinatura e aumentos salariais mínimos.
Situação em Austin e Dallas
A aquisição do Austin American-Statesman, em 2025, é citada como exemplo de mudanças contratuais. Trabalhadores de Austin afirmam ter perdido garantias de reajuste salarial e benefícios antes existentes, ao combinar contratos com a nova administração. A guilda local relata que as novas condições teriam herdado partes menos favoráveis dos acordos anteriores.
Em resposta, a empresa afirma ter reestruturado condições com adições de bônus de contratação e melhoria de salários mínimos na redação, após a aquisição. Trabalhadores têm promovido arrecadação para financiar possíveis ações coletivas.
No Dallas, a Dallas News Guild protocolou queixas junto ao National Labor Relations Board, alegando violação de contrato após o desligamento de 26 funcionários, meses após a compra da publicação pelo grupo. O contrato da unidade de Dallas Morning News permanece em vigor, com data de expiração prevista para junho.
Próximos passos
A Hearst afirma que manterá negociações em boa-fé com a Connecticut NewsGuild em junho. Acompanhamentos legais e atividades sindicais continuam em andamento, com as guildas buscando meios de preservar condições de trabalho e preservar a qualidade jornalística das redações.
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