- Exposição Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo reúne 27 obras produzidas entre 1996 e 2019, na Pinacoteca Estação, em São Paulo.
- A mostra destaca a relação entre pintura e serigrafia, com processos que podem exigir muitas passagens pela prensa para alcançar camadas complexas de cor.
- As gravuras são fruto de mais de duas décadas de parceria com o impressor Jean-Paul Russell, da Dunham Press, na Pensilvânia.
- O curador Renato Menezes ressalta a trajetória da artista e o diálogo entre técnicas, evidenciando o “ateliê mental” presente na série de matrizes.
- A exposição fica em cartaz até 14 de março de 2027, com patrocínio da Vivo via Lei Rouanet.
O Jardim gráfico de Beatriz Milhazes chega à Pinacoteca Estação, em São Paulo, apresentando 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019. A mostra reúne obras do acervo da Pinacoteca que dialogam entre técnica serigráfica e a linguagem pictórica da artista.
As peças são resultado de mais de duas décadas de parceria com o impressor Jean-Paul Russell, da Dunham Press, na Pensilvânia. A colaboração ganhou consistência ao longo dos anos, ampliando a leitura da obra de Milhazes pela lente da impressão.
Conforme a curadoria, a exposição evidencia o contínuo equilíbrio entre a pintura, o uso de matrizes serigráficas e a evolução de um corpo criativo que transita entre cores, formas e camadas.
A Alquimia da Serigrafia
A serigrafia ocupa posição central na mostra como laboratório de experimentação para a artista. Milhazes defende que a técnica, originária de campos como publicidade e estamparia, impõe o desafio de manter o universo floral e gráfico intacto durante a impressão, mesmo com múltiplas passagens pela prensa para alcançar a profundidade cromática.
A obra impõe uma leitura que valoriza a repetição de camadas sem perder a complexidade visual, preservando a assinatura estética da autora em cada matriz impressa.
Parceria Transatlântica: a Conexão Dunham Press
As gravuras expostas nasceram de uma parceria que atravessa o Atlântico. Segundo o impressor Jean-Paul Russell, a relação inicial, iniciada em 1996, superou barreiras linguísticas e se firmou como eixo criativo essencial para a qualidade das peças. Milhazes ressalta a importância desse diálogo técnico para a sofisticação da linguagem visual.
Russell comenta que a troca entre os universos de artista e impressor definiu uma progressão concreta no processo, com tiragens que evoluíram para obras mais complexas, mantendo a harmonia entre cor e forma.
Um Legado para o Brasil
A decisão de reunir as 27 gravuras no acervo da Pinacoteca partiu de um interesse da própria artista, que doou as obras entre 2009 e 2018 após uma temporada de reconhecimento institucional. Milhazes manteve o interesse por conservar a produção no Brasil, mesmo diante de ofertas no exterior, e consolidou seu compromisso com a arte brasileira.
A mostra, patrocinada pela Vivo por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, permanece em cartaz na Pina Estação até 14 de março de 2027.
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