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Pizzaria com Homer Simpson na fachada integrou esquema que levou Deolane a prisão

Pizzaria com Homer Simpson na fachada é apontada como fachada de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, com movimentação de apenas R$ 58,39 em dois anos

Fachada da pizzaria Chatubão, em Cambuci, distrito paulistano, em imagem do Google Street View captada em janeiro de 2025
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  • Pizzaria Chatubão, localizada no Cambuci, funcionou por dois anos e movimentou apenas R$ 58,39 em cartões de crédito ou débito.
  • O estabelecimento pertencia a dois sócios; um deles, Willian da Silva Furtuoso, morreu em abril de 2020, e o outro, Everton de Sousa, foi indiciado e preso pela Polícia Civil por participação no esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
  • A polícia aponta que 94% dos R$ 566 mil recebidos em quatro anos tinham origem não identificada e que a empresa operava com três contas correntes, com grande parte das transações em espécie.
  • A investigação mostra que Everton repassou aos sócios R$ 160 mil, enquanto a receita contábil declarada somava R$ 96 mil, indicando inconsistências financeiras e uso de rede de empresas para lavar dinheiro, inclusive um bar no mesmo endereço.
  • Deolane Bezerra é apontada como alvo da operação; segundo investigadores, ela abriu 35 empresas em um mesmo endereço residencial e a transportadora vinculada ao caso teria repassado pouco mais de R$ 1 milhão à influenciadora.

A pizzaria Chatubão, localizada no Cambuci, em São Paulo, integra um esquema investigado pela Polícia Civil que levou à prisão de Deolane Bezerra. O estabelecimento, aberto em 2014, funcionou por cerca de dois anos e teve participação de dois sócios antes de encerrar as atividades. Na operação, a polícia identificou movimentação atípica com recursos em espécie quase exclusivas, e uso de diversas contas correntes.

Durante o período em que esteve aberta, a pizzaria registrou apenas 58,39 reais movimentados em cartões de crédito ou débito ao longo de dois anos, segundo apuração policial. Recursos em espécie eram frequentes, e o perfil da empresa indicou baixa atividade financeira via meios eletrônicos. A página da loja na internet reunia 12 publicações, sendo quase todas de pizzas.

A empresa possuía três contas correntes, e a investigação aponta que 94% dos 566 mil reais recebidos em quatro anos tinham origem não identificada. A polícia destacou inconsistências entre valores repassados ao sócio Everton de Sousa e o faturamento declarado em registros oficiais. Estima-se que houve discrepância entre pagamentos ao sócio e a receita declarada.

Everton de Sousa, apontado como operador de uma rede destinada a lavar dinheiro para a facção PCC, foi indiciado e preso. Segundo apurações, o mesmo endereço hospedou um bar homônimo e uma transportadora associada ao esquema, além de outras empresas ligadas que operavam para fracionar ou dissimular valores. A rede incluiria locadoras de veículos e serviços automotivos.

A investigação aponta que Deolane Bezerra abriu 35 empresas no mesmo endereço residencial, atuando como espécie de caixa para a facção criminosa. Em relação à transportadora de Presidente Venceslau, a polícia indica que a empresa repassou pouco mais de 1 milhão de reais à influenciadora, sem comprovação de prestação de serviços. A autoridade destaca que o conjunto de empresas e operações sugere uso da estrutura como fachada.

A pizzaria Chatubão não existe mais hoje, mas os investigadores ressaltam a relação entre o estabelecimento e o esquema maior. Segundo a polícia, a combinação de atividades de gêneros alimentícios com fluxo financeiro não identificado e repasses atípicos aponta para lavagens de dinheiro operadas pela rede investigada. As apurações seguem para mapear a extensão das ligações entre as empresas do grupo.

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