- Rádio Nacional completa noventa anos e marca o 7º Simpósio da Rádio Nacional, realizado na quinta-feira, 21, com foco em memória e transformação digital.
- Fórum reuniu especialistas, gestores de acervo e emissoras para discutir como preservar a memória radiofônica brasileira e avançar rumo ao futuro digital.
- Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro destacou o acervo da Rádio Nacional, com mais de cinquenta e três mil itens, fortalecendo a memória cultural do país.
- Empresa Brasil de Comunicação apresentou avanços na digitalização, com 7.280 fitas de rolo, 5.969 acetatos, 3.319 CDs e mais de 153 mil páginas de roteiros; a digitalização já atinge 28,2% do total.
- Debates sobre rádio 3.0 e novas métricas foram puxados por representantes da Rádio Globo e da Ozen FM, que discutiram podcasts, IA e distribuição digital como caminhos para o setor.
O 7º Simpósio da Rádio Nacional, realizado na quinta-feira, 21, reuniu pesquisadores, gestores de acervo, especialistas em rádio digital e representantes de emissoras públicas e privadas. O objetivo foi discutir como preservar a memória radiofônica brasileira e projetar o rádio para o futuro digital. O evento celebra os 90 anos da Rádio Nacional.
O debate mostrou que o rádio permanece vivo ao se reinventar por meio de plataformas digitais, inteligência artificial, podcasts e transmissão multiplataforma. Os participantes destacaram que preservar acervos históricos é essencial para a identidade cultural e o acesso à informação.
Memória e acervo: preserving do passado
Na mesa sobre a importância histórica dos acervos, Cesar Miranda Ribeiro, presidente do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, enfatizou a relação direta entre a Rádio Nacional e a memória cultural brasileira. O MIS abriga um conjunto expressivo de itens que complementam a preservação do conteúdo radiodifundido pela emissora.
O MIS-RJ pode ter mais de 53 mil itens entre partituras, documentos iconográficos, acetatos e LPs. O presidente destacou que o acervo serve de suporte à preservação realizada pela Rádio Nacional e reforça a memória da radiodifusão nacional. Estudos acadêmicos, como pesquisa de Akemi Nitahara, também apontam a relação histórica entre o MIS e a emissora.
A gerente de acervo da EBC, Maria Carnevale, tratou dos desafios da digitalização do acervo público. Ela defendeu a sinergia entre tecnologia e preservação, descrevendo critérios de seleção, catalogação e organização de dados, com uso de inteligência artificial para acelerar pesquisas históricas. Ela ressaltou que o acervo digitalizado já representa parte relevante do total.
Foram apresentados números do acervo: milhares de fitas de rolo, acetatos e roteiros de radionovelas, além de materiais digitais. A gestão de metadados foi apontada como fundamental para localizar e reutilizar conteúdos históricos, com a necessidade de registrar quem, o quê, quando e onde.
Transformação digital e novos formatos
Em outra mesa, Thays Gripp, da Rádio Globo, apresentou a transformação da emissora e a estratégia de alcance a novos públicos. A Rádio Globo passou a atuar integrada com plataformas digitais, televisão, redes sociais e podcasts, buscando dialogar com jovens por meio de pesquisas sobre hábitos de consumo.
Bruno Pinheiro, da Ozen FM, discutiu o papel de podcasts e IA na distribuição de conteúdo. Ele afirmou que o rádio já encontra caminhos no universo digital, com tecnologias que extraem e distribuem conteúdos em formatos de podcast, mantendo o espírito do rádio tradicional em formato editado para plataformas diversas.
A pesquisadora Juliana Paiva participou do debate sobre rádio 3.0 e métricas de audiência, destacando a importância de entender o comportamento do ouvinte em múltiplas plataformas. O encontro ressaltou que o rádio não chegou ao fim, mas sim se adaptou a novas formas de consumo.
Entre na conversa da comunidade