- Investigação aponta ligações entre a influenciadora e advogada Deolane Bezerra Santos e o Primeiro Comando da Capital; ela foi presa preventivamente em um condomínio de luxo em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, suspeita de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e integração à facção.
- A acusação afirma que Deolane funcionava como “caixa” do grupo; a defesa nega envolvimento com crime organizado e afirma que seus recebimentos são declarados e justificados.
- A operação ocorreu enquanto ela passava mais de vinte dias em Roma, na Itália; autoridades monitoravam seus passos à distância com apoio da Interpol, e havia planos de prisão no exterior, mas ela retornou ao Brasil e foi detida ao chegar a São Paulo.
- Relatórios apontam movimentação de R$ 13,6 milhões em contas pessoais entre 2018 e 2022, além de R$ 14 milhões em três empresas, com origem considerada “espúria” e poucos pagamentos de publicidade.
- Empresas fantasmas ligadas a Deolane foram localizadas no interior paulista, com endereço compartilhado por várias firmas de fachada; a influenciadora foi transferida para o presídio feminino de Tupi após a prisão.
A polícia brasileira, com apoio da Interpol, monitorava a rotina de Deolane Bezerra Santos na Itália antes de sua prisão. A influenciadora digital e advogada teve a prisão preventiva decretada após operação em um condomínio de luxo em Barueri, São Paulo, por suspeita de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e ligação com o PCC.
Segundo as autoridades, Deolane era apontada como caixa do grupo criminoso. A defesa nega qualquer vínculo com crime organizado ou com recursos ilícitos, afirmando que todos os rendimentos foram declarados. A investigação envolve o desvio de recursos vinculados ao PCC desde 2019.
Deolane ficou mais de 20 dias em Roma, hospedada na região da Piazza di Spagna, onde as diárias superam 15 mil reais. Ela publicava conteúdos sobre a viagem nas redes sociais, enquanto oficiais brasileiros e a Interpol acompanhavam seus movimentos à distância. A prisão ocorreu após retorno ao Brasil, ao chegar a São Paulo.
Detalhes da operação e movimentações financeiras
Promotores indicam que investigadores utilizam pessoas com grande alcance online para pulverizar recursos ilícitos. Um relatório aponta que Deolane movimentou cerca de 13,6 milhões de reais entre 2018 e 2022, com mais 14 milhões em três empresas associadas. As origens dos recursos são descritas como espúrias, com poucos pagamentos de publicidade comprovados.
A polícia identificou empresas de fachada registradas em cidades do interior paulista, próximas ao presídio de Presidente Venceslau, compartilhando endereço com outras firmas. O desdobramento atual resulta de apurações iniciadas em 2019 após apreensão de bilhetes na cela da cidade.
Conexões com outros investigados
As mensagens encontradas indicam ligações entre lideranças da facção, incluindo Marcola e Marcolinha, com pessoas ligadas a uma transportadora usada para lavagem de dinheiro e apoio ao tráfico internacional de cocaína. Ciro César Lemos e sua esposa teriam sido apontados como proprietários formais da empresa.
A defesa de Deolane nega envolvimento com a transportadora e seus sócios. Em audiência de custódia, Deolane afirmou que os valores recebidos eram remuneração por serviços prestados à época em que atuava como advogada criminal. As defesas de outros investigados contestam as acusações com base em falta de provas diretas.
Deolane foi transferida ao presídio feminino de Tupi, interior de São Paulo, após a prisão. As próximas etapas devem incluir novas diligências e desdobramentos processuais, com continuidade das investigações para esclarecer a participação de cada envolvido.
Entre na conversa da comunidade