Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Carolina Ignarra: inclusão não é obrigação e fadiga com acessibilidade

Fadiga de acesso gera desgaste emocional a pessoas com deficiência e aponta a necessidade de equilíbrio entre obrigação e convicção na inclusão

Carolina Ignarra se tornou uma das principais vozes do ativismo anticapacitista no país
0:00
Carregando...
0:00
  • Carolina Ignarra, CEO e sócia-fundadora da Talento Incluir, sofreu um acidente aos 22 anos que a deixou em cadeira de rodas; hoje tem 47 anos e atua como ativista e palestrante.
  • A Talento Incluir já ajudou a empregabilidade de mais de 10 mil profissionais em mais de 700 empresas desde 2008; ela também cofundou a Talento Sênior.
  • Ela participa do evento Tempo de Mulher e pretende discutir a fadiga de acesso, o desgaste diário provocado por barreiras para pessoas com deficiência.
  • A empresária acusa que muitas empresas contratam por obrigação; inclusão sustentável depende de equilíbrio entre obrigação, conveniência e convicção, e o capacitismo ainda é comum.
  • Destaca a importância de redes de apoio entre mulheres com deficiência, o cuidado com a saúde mental e a necessidade de manter espaços de atuação para promover mudanças.

Carolina Ignarra, empresária e ativista, participou do evento Tempo de Mulher para falar sobre a fadiga causada pela busca constante por acessibilidade. Em trajetória de superação após um acidente que a levou à cadeira de rodas, ela prepara uma reflexão sobre fadiga emocional da luta por inclusão.

Aos 47 anos, Ignarra é CEO e sócia-fundadora da Talento Incluir, consultoria que promove inclusão produtiva de pessoas com deficiência. A empresa já encaminhou mais de 10 mil profissionais para vagas em mais de 700 organizações desde 2008 e também atua na Talento Sênior, voltada a profissionais acima de 45 anos.

Segundo a empresária, o tema central hoje é a fadiga de acesso, conceito que descreve o desgaste diário enfrentado por pessoas com deficiência diante de barreiras. Ela destaca que, ao viajar a trabalho, é preciso esperar apoio e transferências, consumindo tempo e energia.

Ignarra relembra que, mesmo em ações simples, é comum ligar para hotéis para confirmar acessibilidade do quarto. A demanda constante por validação e verificação deveria ser automática, mas nem sempre ocorre, gerando cansaço adicional e impactos na saúde mental e no rendimento profissional.

A liderança argumenta que as barreiras vão além da arquitetura e envolvem questões metodológicas, comunicacionais e principalmente atitudes. A necessidade de demonstrar capacidade constantemente é apontada como fator que aumenta o desgaste em comparação com pessoas sem deficiência.

Inclusão não pode ser apenas obrigação

Durante a fala, a empresária enfatiza que muitas empresas enxergam a inclusão como obrigação legal. Para Ignarra, a inclusão sustentável ocorre quando há equilíbrio entre obrigação, conveniência e convicção, sem se limitar ao retorno financeiro.

Ela ressalta que o capacitismo persiste nas organizações e cita dados de sua instituição, que indicam que 86% das pessoas com deficiência relatam discriminação no ambiente de trabalho. Esse cenário contribui para a queda de candidaturas a oportunidades de crescimento.

Ignarra também aponta que a falta de representatividade pode levar pessoas com deficiência a não se candidatarem a posições de maior responsabilidade, por não se reconhecerem no espaço organizacional.

Apoio, redes e continuidade

A executiva destaca a importância de redes de apoio entre mulheres com deficiência, reforçando que o compartilhamento de experiências fortalece trajetórias profissionais. Ela afirma que reconhecer limites e descansar quando necessário é crucial para manter o desempenho a longo prazo.

Para Ignarra, a presença contínua de mulheres com deficiência em ambientes de trabalho é essencial para mudar a cultura. O objetivo é alcançar uma sociedade mais inclusiva, evoluída e justa para as próximas gerações.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais