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Conflito entre PCC e CV em SP revela força da facção paulista

Disputa entre PCC e Comando Vermelho em São Paulo indica mudança no equilíbrio do crime organizado, com incursões regionais

Casa de luxo alvo de mandado da operação Carbono Oculto: PCC diversificou atividades e hoje lucra com uma série de outros negócios além do tráfico
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  • Disputa entre Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho ganha espaço em São Paulo, com incursões do CV em áreas próximas ao Rio de Janeiro e no litoral norte, como Ubatuba, além do Vale do Paraíba.
  • Em Ubatuba, um homem e um adolescente foram mortos a tiros dentro de um carro em 10 de dezembro do ano passado, em meio à tensão entre as facções.
  • São Paulo registrou 24 homicídios dolosos em 2025, quase o dobro de 2024, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública.
  • Fontes apontam que o PCC diversificou os negócios e passou a atuar também no tráfico internacional, abrindo espaço para a expansão do CV em território paulista.
  • Em 6 de maio, operação Red Flag prendeu dois suspeitos ligados ao CV em Rio Claro e Paulínia, evidenciando atuação da facção carioca e a absorção de grupos locais sem necessidade de formalização.

O crime organizado em São Paulo pode estar vivenciando uma mudança de equilíbrio. A BBC News Brasil apura que o Comando Vermelho (CV) vem ganhando espaço em território paulista, tradicionalmente dominado pelo PCC. O conflito entre as facções já ocorre no litoral e no Vale do Paraíba.

Um homicídio em Ubatuba, na Estrada de Camburi, envolvendo um homem e um adolescente, foi registrado em dezembro do ano passado. Esses casos elevam o total de 24 homicídios dolosos no município em 2025, quase o dobro de 2024, segundo a SSP.

A presença do CV se concentra perto da fronteira com o Rio de Janeiro, especialmente em Ubatuba, e na região de Piracicaba. O movimento é visto como parte da expansão nacional da facção carioca, que busca novas rotas de atuação.

Panorama da disputa

Especialistas ressaltam que o PCC se beneficiou do enriquecimento e diversificação de negócios, passando a priorizar menos o varejo de drogas. Com isso, o CV aproveita lacunas para ampliar atuação no Estado, inclusive em operações de extorsão.

Pesquisadores afirmam que a entrada de jovens na criminalidade paulista é um fator relevante. Eles teriam menos aderência à ideologia do PCC e estariam mais abertos a alianças com rivais, ampliando a rede de atuação do CV.

Outra leitura aponta que a divisão interna no PCC, associada ao atraso de lideranças, favorece a entrada de grupos rivais. Em áreas como o Vale do Paraíba, há relatos de disputas por espaços de venda de drogas e controle territorial.

Ações e desdobramentos recentes

Em maio, a Polícia Militar e o Ministério Público deflagraram a operação Red Flag, visando integrantes ligados ao CV em Rio Claro e Paulínia. A ação reforça o monitoramento de redes criminosas que atuam na região.

Entre os locais citados pela investigação, aparecem cidades como Bananal, Cruzeiro, Lorena, Ubatuba e Caraguatatuba. A falta de domínio territorial armado contrasta com a lógica de outras regiões, segundo pesquisadores.

Analistas destacam ainda a diferença entre a atuação paulista e a de outras áreas do país, onde o CV mantém estruturas de cooptação mais fluídas. Em São Paulo, a vigilância pública se intensifica diante das mudanças.

Perspectivas e contexto

Especialistas veem uma possibilidade de ajustes na dinâmica entre PCC e CV no médio prazo. O PCC pode manter hegemonia, mas com menor adesão de jovens, o que pode favorecer rupturas internas. A situação demanda monitoramento contínuo.

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