- O cortejo de Fincada de Mastro aconteceu em Aracruz, no Espírito Santo, durante a 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, reunindo três gerações da família Santos: Beatriz dos Santos Rego, Maju Santos e Mestre Daniel Vieira dos Santos.
- A festa é realizada pelas bandas de congo Mestre Honório e Madalenas do Jucu, em homenagem a São Benedito e aos escravos que se salvaram de um naufrágio agarrados ao mastro do navio.
- O mastro enfeitado fica fincado na praça pública por um mês e, no mês seguinte, é retirado; o cortejo contou com a participação de Guerreiros Tupinikim da aldeia Irajá.
- Beatriz, regente das Madalenas, criou o grupo em 2021 para ampliar a presença feminina no congo; Maju, com dezoito anos na banda, tornou-se regente das Madalenas.
- O avô Daniel, com oitenta e cinco anos, continua tocando tambor e já fez mais de duas mil e quinhentos tambores, mantendo a tradição da família.
- A equipe participou da celebração a convite do Ministério da Cultura, com apresentação no entardecer de sábado, 23.
O cortejo de culturas tradicionais reuniu três gerações da mesma família em Aracruz, Espírito Santo. O evento ocorreu no entardecer de sábado, como parte da sexta edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, fortalecendo a celebração das bandas de congo no litoral capixaba. A iniciativa mostrou a relação entre memória, música e resistência cultural.
Maju Santos, 27 anos, integra a banda Mestre Honório e o grupo Madalenas do Jucu. Ela cresceu cercada pela tradição, guiada pela mãe Beatriz dos Santos Rego, regente da banda, e pelo avô Mestre Daniel, que fabrica tambores há décadas. A família participa ativamente das fincadas de mastro, ritual marcante do congo capixaba.
A Fincada de Mastro é uma festa tradicional que homenageia São Benedito e os escravos que se salvaram de um naufrágio, agarrados ao mastro de um navio. Cada grupo realiza a fincada em praça pública e retira o mastro no mês seguinte, gerando duas festas distintas no mesmo ciclo.
Desfile e participação comunitária
Durante o cortejo em Aracruz, os dois grupos de congo da família percorreram ruas ao pôr do sol. O desfile contou com a presença de outros grupos locais, como Guerreiros Tupinikim da aldeia Irajá, ampliando a circulação de saberes tradicionais na região.
A presença das mulheres ganhou destaque neste encontro. Beatriz dos Santos Rego, 58 anos, lidera os Madalenas, grupo formado por mulheres de diferentes gerações desde 2021. Ela também é regente da banda Mestre Honório, que tem o mestre em segundo plano familiar.
Beatriz ressalta que o Madalenas nasceu da continuidade da Banda de Congo Mestre Honório, criada para manter vivo o legado da família. O grupo recebe apoio de editais e programas de incentivo à cultura popular, o que viabiliza a realização da festa anualmente.
Herança de três gerações
Atualmente, Maju assume a regência dos Madalenas e domina os instrumentos da banda. Ela destaca a atuação de sua família na tradição, relembra o início ainda na infância e aponta o tambor, especialmente a caixa, como seu instrumento preferido.
Mestre Daniel Vieira dos Santos, aos 85 anos, continua a tocar tambor ao lado da filha e da neta. Ele relembra a formação dos tambores, feitos por ele, e afirma ter fabricado milhares de tambores ao longo de sua trajetória.
O relato evidencia três gerações que cresceram em meio aos saberes do congo capixaba e participam juntas de desfiles e apresentações. A família reforça a dimensão comunitária da prática e a transmissão de conhecimentos culturais.
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