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Hospital ligado ao ‘Holocausto Brasileiro’ é fechado definitivamente em MG

Hospital Colônia de Barbacena, símbolo da violência manicomial, encerra atividades em Minas Gerais e conclui a desinstitucionalização de pacientes

Centro Hospitalar Psiquiátrico (CHPB) de Barbacena, antigo Hospital Colônia
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  • O Hospital Colônia de Barbacena, hoje Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, foi fechado de forma definitiva pelo governo de Minas na segunda-feira, 25 de maio.
  • A unidade, símbolo da violência manicomial no Brasil, acolheu pacientes por décadas e ficou associada a superlotação, abandono e violações de direitos humanos.
  • Entre 1942 e 2020 passaram pela instituição cerca de 40 mil pessoas, das quais aproximadamente 24 mil morreram.
  • Muitos pacientes não tinham diagnóstico de transtorno mental, incluindo grupos como pessoas LGBTQIA+, mulheres que perderam a virgindade antes do casamento, mendigos, epiléticos e presos políticos.
  • A desinstitucionalização já ocorreu desde 2019, com 68 moradores alta assistidos em residências terapêuticas; os últimos 14 pacientes foram transferidos para uma unidade em Barbacena gerida pela prefeitura.

O Hospital Colônia de Barbacena, na zona da mata mineira, foi fechado de forma definitiva nesta segunda-feira, 25 de MG. A unidade, criada em 1903, ficou marcada pela violência manicomial no Brasil ao longo do século XX. O encerramento ocorreu no âmbito de um processo de desinstitucionalização promovido pelo governo estadual.

Dados do governo de Minas mostram que cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição entre 1942 e 2020, das quais aproximadamente 24 mil morreram. Muitos pacientes não apresentavam diagnóstico de transtorno mental, incluindo gays, mulheres que perderam a virgindade, mendigos, epiléticos e presos políticos.

Hoje chamada de Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), a unidade vinha passando por uma readequação de atendimento para transferir pacientes de longa permanência a residências terapêuticas. A gestão informa que, desde 2019, 68 moradores receberam alta para continuidade do tratamento em outras estruturas.

Contexto histórico

A desinstitucionalização vem ocorrendo desde 1979, com foco na reforma psiquiátrica. Pesquisadores ligados à Ufop analisaram registros de internação entre 1903 e 1979, apontando um grande volume de pacientes ao longo do período e destacando o papel da instituição na segmentação de atendimento da época.

O psicólogo Elizeu de Assis, da Ufop, avalia que o CHPB foi símbolo de uma prática hospitalar ultrapassada, mas evita o termo Holocausto para não descontextualizar o papel da unidade no tratamento de pacientes crônicos. Segundo ele, não há evidência de torturas generalizadas em registros ou relatos oficiais.

Desinstitucionalização em prática

Na última semana, os 14 pacientes finais do CHPB foram transferidos para uma unidade de Barbacena, construída para recebê-los, sob gestão da prefeitura. Os pacientes têm avaliações clínicas específicas, comorbidades diversas e necessidade de suporte alimentar diferenciado.

Antes da conclusão, os pacientes viviam com média de internação de quase cinco décadas. A idade média atual é de 73 anos, com alguns pacientes ingressando na instituição ainda na adolescência. A avaliação técnica enfatiza a busca por maior autonomia e integração social.

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