- O romancista Ian McEwan, em painel no Hay festival, disse que o pessimismo é “um problema maior” que a mudança climática e defendeu o otimismo como dever moral.
- Na Inglaterra, registros de calor em maio foram alcançados, com Londres chegando a 34,8 °C, superando recordes anteriores.
- McEwan afirmou que há possibilidade de revoluções ocorrerem sem que notemos, destacando o papel do otimismo como exercício de racionalidade.
- Minette Batters, ex-presidente da associação de agricultores, disse que o setor enfrenta incertezas climáticas e descreveu quedas de 50% na produção de feno e silagem. Ela criticou a falta de clareza sobre planos nacionais e a visão do Defra para a agricultura.
- Batters também comentou sobre o equilíbrio entre políticas públicas e uso da terra, citando críticas a propostas como imposto sobre a terra e mencionou que a agricultura depende de caminhos e serviços locais para reduzir impactos.
Ian McEwan participou de um painel no Hay Festival, em Londres, no dia em que o Reino Unido registrou novos recordes de temperatura em maio. O romancista disse que o pessimismo é um problema maior que as mudanças climáticas e que manter o otimismo é um dever moral. O tema surgiu durante a apresentação, enquanto Londres enfrentava 34,8°C, ultrapassando marca de 1922.
O escritor afirmou que ouvir esse clima de desilusão é frequente e que a esperança depende de racionalidade. Ele mencionou ainda que é possível ocorrer uma revolução sem que a percebamos, citando picos de energia renovável que superaram o gás e o carvão em 2020. Alega que reduzir o consumo também funciona como incentivo.
Opiniões de Batters e McEwan
Minette Batters, ex-presidente da NFU, participou do debate e apontou incertezas para os agricultores diante de eventos climáticos extremos. Ela relatou que a safra de feno e a silagem tiveram rendimento pela metade, em 26 anos de atividade agrícola. Mudanças políticas aumentam a sensação de insegurança entre produtores.
Batters criticou propostas de tributação de imóveis rurais, destacando a demanda por uso adequado da terra e mais espaços verdes. Ela informou ainda que muitos agricultores não entendem a visão do governo para a agricultura, o que dificulta o planejamento.
Desafios no campo e nas políticas públicas
Sobre infraestrutura, McEwan mostrou que há ganhos ao reduzir perdas com investimentos locais em vez de grandes obras isoladas, citando HS2. Em relação a redes de lazer, destacou que caminhos históricos no país resistem, mas enfrentam pressão de grandes proprietários rurais que podem fechar vias ao influenciar decisões locais.
Segundo Batters, o cenário agrícola depende de previsibilidade política: a preferência é por planos nacionais claros para o setor, com menos ruído institucional, para evitar impactos na produção. A discussão do painel ocorreu em dia de altas temperaturas no país, que ampliaram o debate sobre adaptação e políticas públicas.
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