- Não há regra que impeça manter dois atendimentos de psicologia ao mesmo tempo; as terapias podem ter funções diferentes, como individual, em grupo ou conjuntas.
- O caso citado mostra uma pessoa alternando psicanálise com terapia cognitivo-comportamental, apontando benefícios de combinação, mas com custo financeiro e maior envolvimento.
- Os riscos incluem que as duas abordagens tratem o mesmo assunto de maneiras diferentes, o que pode gerar confusão e dificultar a elaboração do tema.
- Pode haver dificuldade de encerrar o vínculo com o terapeuta atual, especialmente se houver medo de conflitos ou de perder o andamento do tratamento.
- A comunicação entre terapeutas é importante: o paciente deve concordar com o compartilhamento de informações; a decisão sobre manter ou não os dois atendimentos depende do contexto e da ética profissional.
A administradora Manoela Barbosa, 27, faz terapia desde os 12 anos. Depois de anos com psicanálise, ela mudou para a terapia cognitivo-comportamental (TCC) para questões práticas como insônia, encerrando o vínculo com o analista. Um ano e meio depois, decidiu manter sessões mensais de TCC e continuar o acompanhamento analítico semanalmente, buscando complementaridade entre os métodos.
Ao buscar duas terapias simultâneas, Manoela constatou que o modelo pode funcionar, desde que haja clareza sobre os objetivos de cada abordagem. A psicóloga que a atende explicou que diferentes funções terapêuticas podem convivir, desde que não haja duplicidade de finalidades entre os profissionais.
Profissionais ouvidos pela reportagem destacam que não há regulamentação que impeça manter dois psicólogos ao mesmo tempo. Os riscos aparecem quando as abordagens divergem na finalidade, ou quando não fica claro para o paciente qual é o papel de cada terapeuta na condução do tratamento.
Especialistas ressaltam ainda as dificuldades práticas: o custo financeiro aumenta e a sobreposição de técnicas pode gerar confusão interna, dificultando a elaboração de temas mais profundos. A comunicação entre os terapeutas é considerada essencial para evitar conflitos e fragmentação do cuidado.
Para que a prática seja adequada, a opinião de um dos especialistas é fundamental: o paciente deve conversar com o terapeuta atual para definir se pretende manter, suspender ou expandir o uso de dois profissionais. O consentimento para o compartilhamento de informações deve ocorrer de forma clara, especialmente em atendimento privado.
Em contextos de políticas públicas, a presença de dois terapeutas em serviços distintos é comum, com coordenação entre profissional de assistência social e de saúde. Nesses casos, a conversa entre as partes ajuda a alinhar objetivos e evitar sobreposições desnecessárias.
O momento de interromper o atendimento duplo é definido por fatores éticos e pela avaliação de cada caso. O profissional pode sugerir o encerramento se entender que manter duas terapias prejudica o paciente, ou se a condução do caso impede uma elaboração adequada das questões apresentadas.
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