- A NR-1 atualizada entra em vigor em 26 de janeiro e torna obrigatório incluir fatores psicossociais — como estresse, sobrecarga e assédio — nos Programas de Gerenciamento de Riscos das empresas.
- Para a saúde mental virar cultura, a liderança precisa agir; dados da Gallup indicam que o gestor direto explica até 70% da variação no engajamento da equipe.
- A cultura não é apenas o que a empresa fala, mas decisões de negócio, critérios de promoção e desenvolvimento de líderes, com indicadores de saúde organizacional tão relevantes quanto os financeiros.
- Medidas importantes: desenvolver líderes que sabem conversar sobre carga e dificuldades, criar sistemas de trabalho claros e saudáveis, manter pausas e cultura de descanso, e cuidar da saúde cognitiva sem dependência excessiva de IA.
- Principais erros: tratar sintomas como causas, investir apenas em plataformas de bem‑estar, e ter discurso alinhado, mas prática contraditória; também usar IA para justificar maior carga de trabalho sem compensação adequada.
A atualização da NR-1, que estabelece diretrizes de Segurança e Saúde no Trabalho, entra em vigor nesta terça-feira, 26. As novas regras tornam obrigatório que as empresas incluam fatores psicossociais, como estresse e assédio, nos Programas de Gerenciamento de Riscos. A implementação efetiva depende da transformação da saúde mental em cultura organizacional.
Mariana Achutti, CEO da Newnew, afirma que a saúde mental não pode ficar restrita ao RH. Segundo a Gallup, o gestor direto explica até 70% da variação no engajamento, o que liga bem-estar a desempenho. A liderança precisa conversar sobre carga, sentido e dificuldades para evitar adoecimento.
Para a executiva, a mudança de cultura passa por decisões de negócio, critérios de promoção e avaliação de lideranças. Indicadores de saúde organizacional devem ser tão frequentes quanto os financeiros, integrando a gestão diária da empresa.
Medidas para uma cultura saudável
Desenvolver líderes capazes de dialogar de forma real e segura é essencial, com prática contínua e ambiente que permita erro e aprendizado. A ideia é oferecer segurança psicológica no cotidiano.
Outra ação é criar sistemas estáveis, não apenas ações pontuais. Bons ambientes devem oferecer clareza, relações saudáveis, pausas e limites, incorporando cultura de descanso no DNA operacional.
A saúde cognitiva também ganha foco, com espaços de deliberação livres de dependência de IA, para preservar memória, atenção e pensamento crítico entre os funcionários.
Onde as empresas costumam errar
O erro mais caro é confundir sintoma com causa, diz Achutti. Ao perceber esgotamento, algumas empresas recorrem a plataformas de bem-estar sem tratar tensões como liderança tóxica ou metas inviáveis.
O descrédito entre discurso e prática também é comum. Instituições podem valorizar a saúde mental, mas exaltar jornadas de 14 horas ou punir férias, o que gera adoecimento e culpa.
A velocidade e a sobrecarga associadas à IA também amplificam o problema. A especialista alerta que IA deve ampliar capacidade humana, sem reduzir tempo para pensar, criar e descansar.
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