- Atlas da Violência aponta 42.590 homicídios em 2024, queda de 6,9% frente a 2023, com 20,1 mortes por 100 mil habitantes, o menor patamar da série histórica.
- Mortes violentas por causa indeterminada (MVCI) chegaram a 17.207 em 2024, alta de mais de 23% em relação a 2023, segundo o estudo.
- Homicídios ocultos estimados em 7.083 em 2024, aumento de 88,6% frente a 2023, com a taxa de 3,3 por 100 mil e participação de 14,3% dos homicídios estimados.
- A soma de casos oficiais mais ocultos levaria a uma estimativa total de 49.673 homicídios em 2024, leve alta de 0,3% frente a 2023.
- Reduções regionais foram generalizadas, com Maranhão e Ceará registrando altas, São Paulo mantendo queda, e Norte e Nordeste concentrando as maiores taxas; Salvador aparece entre as capitais com maior índice.
O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, segundo o Atlas da Violência, estudo do Ipea em parceria com o FBSP. A queda de 6,9% frente a 2023 levou a 20,1 mortes por 100 mil habitantes, o menor patamar da série histórica iniciada há uma década. O resultado aponta avanços na queda de mortes violentas, mesmo diante de alterações na contabilidade.
Pesquisadores alertam para o aumento das mortes violentas por causa indeterminada (MVCI) e o que classificam como homicídios ocultos, ou seja, assassinatos não contabilizados oficialmente. Em 2024, o total de MVCI foi 17.207, alta de mais de 23% em relação a 2023, chegando ao recorde histórico na série.
Ainda segundo o Atlas, em 2024 o Brasil teve 7.083 casos de homicídios ocultos, incremento de 88,6% ante 2023. A taxa desse indicador passou de 1,8 para 3,3 por 100 mil habitantes, elevando a participação dos homicídios estimados para 14,3% do total no ano.
A soma de casos oficiais com estimativas aponta 49.673 homicídios estimados em 2024, ante 49,5 mil em 2023, um aumento de 0,3%. A taxa nacional de homicídios caiu 0,4%, de 23,5 para 23,4 por 100 mil habitantes, segundo o estudo.
Entre as unidades federativas, apenas Maranhão e Ceará registraram altas nas taxas de homicídios de 2023 para 2024, enquanto São Paulo manteve o índice estável. Quedas expressivas ocorreram no Amapá, Tocantins, Sergipe e Roraima, com reduções acima de 20%.
No território, o Norte e o Nordeste concentram as maiores taxas, com Salvador entre as capitais com as maiores taxas de violência. Em termos absolutos, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul apresentaram as maiores quedas de ocorrências.
O Atlas aponta ainda que, embora o Brasil tenha chegado ao menor patamar desde 1998, a redução não foi homogênea e a qualidade dos dados de saúde foi apontada como um fator sensível para a leitura do quadro atual. A região norte permanece com indicadores mais elevados, segundo os pesquisadores.
Para quem produz o estudo, a relação entre dados da saúde e da polícia é fundamental. Os autores destacam que a qualidade de ambas as bases é essencial para diagnóstico preciso e políticas públicas efetivas, evitando subnotificações que dificultem o planejamento.
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