- Famílias removidas entre 2023 e 2024 na região de Perus, zona norte de São Paulo, aguardam novas informações sobre o conjunto residencial Perus II, que tem 988 apartamentos em quatro torres.
- O empreendimento teve entrega prevista inicialmente para 2025, com novo prazo marcado para março de 2026, mas não há data oficial confirmada para a entrega das chaves.
- As moradias dependem de conclusão de documentação para assinatura dos contratos; as obras foram concluídas dentro do prazo contratual de 24 meses, segundo a prefeitura.
- O auxílio-aluguel, anunciado como temporário, chega a até R$ 600, valor considerado insuficiente para cobrir aluguel na cidade, agravando dificuldades das famílias.
- Alguns moradores estão há mais de uma década dependentes de auxílio-moradia e relatam impactos emocionais e financeiros, com falta de informações claras sobre a nova previsão de entrega.
Mais de dois anos após as demolições promovidas pela Prefeitura de São Paulo, famílias cadastradas para receber apartamentos no Residencial Perus II seguem sem moradia definida. A Cohab ainda não informou nova data oficial para a entrega das 988 unidades, distribuídas em quatro torres, na zona norte da cidade.
As moradias deveriam ser entregues em 2025, com atraso inicial para março de 2026. Hoje, não há expectativa confirmada de quando as chaves serão recebidas pelos beneficiários, que foram removidos entre 2023 e 2024, em diferentes áreas da região de Perus.
Parte das famílias residia perto do antigo Aterro Bandeirantes, conhecido como lixão de Perus, considerado área de risco. Outras tiveram imóveis demolidos para abrir vias públicas ainda não implementadas pela prefeitura.
Segundo moradores, o auxílio-aluguel prometido como solução temporária não cobre os custos de aluguel na capital. O valor atual chega a até 600 reais, o que não cobre quase metade do valor de mercado de imóveis na região, segundo relatos.
Uma atendente de caixa que não se identificou afirmou que o aluguel paga moradias com mofo, infiltração e baratas. Ela descreveu a condição como prova de que o benefício era para uso temporário, até a entrega das moradias definitivas.
Outra moradora, que pediu anonimato, relatou dificuldade financeira após a demolição para abrir uma via. A família depende de auxílio moradia enquanto aguarda a conclusão do projeto.
Relatos contaram também que uma visita ao empreendimento em 10 de fevereiro indicou uma entrega prevista para 31 de março, data que não foi confirmada pelas autoridades locais.
Procuradas, a Prefeitura de São Paulo, a Sehab e a Cohab afirmaram que as obras foram concluídas no prazo contratual de 24 meses. Segundo as entidades, falta apenas a etapa documental para assinatura dos contratos e entrega das chaves.
Beneficiária do programa, Francisca das Chagas disse precisar complementar o aluguel com recursos próprios há três anos. Ela também morava perto do antigo aterro e continua esperando.
Os atrasos têm impactos emocionais e financeiros. Uma moradora relatou depressão no núcleo familiar após a demolição, com a família separada pela dificuldade de encontrar moradia adequada.
Alguns afetados afirmaram já ter entregue documentação e visitado as unidades, mas não receberam nova data oficial para entrega. Casos de espera mais antigos também foram citados, com beneficiários em situação de auxílio-moradia há muitos anos.
Thaynara Lima, que depende de auxílio moradia há mais de uma década, relatou que recebeu opção de transferência do Residencial Jaraguá II para Perus II em novembro de 2025, como alternativa diante de atrasos, mas permanece desinformada sobre prazos.
A gestão municipal informou que o Residencial Jaraguá II está em reprogramação de cronograma e que os atendimentos habitacionais são atualizados conforme novas unidades ficam disponíveis. Não há, porém, previsão oficial para Perus II nem números oficiais de famílias afetadas ou transferidas.
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