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Zohra Opoku, tecelista de histórias, chega aos maiores museus da África

Zohra Opoku inaugura mostra individual no Zeitz MOCAA, em Cape Town, explorando água, respiração e solo como memórias familiares e identidade

Zohra Opoku.
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  • Zeitz MOCAA abriu em setembro a primeira exposição individual de Zohra Opoku, intitulada “We Proceed in the Footsteps of the Sunlight”, curada por Beata America e Phokeng Setai, com exibição até 4 de outubro.
  • A mostra é centrada em três temas recorrentes: água, respiração e solo, explorando fluidez, vida, morte e pertença.
  • Opoku, nascida em 1976 de pai ganês e mãe alemã, morou na Alemanha antes de se estabelecer em Gana, onde intensificou sua prática artística.
  • A exposição reúne obras em têxteis, fotografia, xilogravuras, instalações e esculturas, destacando a prática têxtil que a artista descreve como fundamental para sua identidade.
  • A curadoria destaca a importância do legado de Koyo Kouoh, falecida recentemente, e a continuidade do espaço de pesquisa e produção cultural que Kouoh ajudou a construir.

Zohra Opoku é a focal de uma mostra no Zeitz Museum of Contemporary Art Africa (Zeitz MOCAA), em Cape Town. A exposição, intitulada We Proceed in the Footsteps of the Sunlight, abriu em setembro e fica em cartaz até 4 de outubro. A curadoria ficou a cargo de Beata America, com participação de Phokeng Setai, e marca a primeira mostra retrospectiva da artista no museu.

A viagem de descoberta começou com uma visita de Beata America, curadora associada do Zeitz MOCAA, ao estúdio de Opoku em Accra, em 2023. A partir dessa parceria, surgiu a ideia de um panorama abrangente da produção da artista, que já trabalha entre a Alemanha e Gana há anos. Opoku aceitou o convite e participou da concepção da mostra.

A exposição apresenta uma leitura de uma década de produção, destacando a capacidade de Opoku de transitar entre escalas e meios. O eixo curatorial enfatiza a fluidez da prática, a respiração como vida e morte, e o solo como conforto, identidade e pertencimento familiar. Os trabalhos refletem a relação da artistas com a herança familiar e a memória.

Opoku, nascida em 1976 e criada por pai ganês e mãe alemã, estabeleceu ligação forte com a Ghana desde 2003. Em sua prática, ela utiliza têxteis, fotografia, serigrafia, instalações e esculturas, ressaltando o papel das mulheres e das lideranças matriarcais no sul de Gana. A curadoria lembra ainda a importância de pesquisar fontes locais e registrar memórias para não se perder o saber.

A mostra também destaca a trajetória profissional da artista, que advoga pela pesquisa e pela documentação de saberes. Entre os recursos visuais, Opoku recorta memórias familiares, tradições têxteis e imagens de dança Ashanti, buscando capturar o espírito e a vida das Queens Mothers. A curadoria e Opoku ressaltaram a importância do contexto histórico- cultural para a leitura das obras.

Temas centrais da mostra

A curadoria aponta três temas recorrentes no conjunto: água, que simboliza a fluidez da prática; respiração, associada à vida e ao rito de passagem; e o solo, que funciona como fundamento de estabilidade. A exposição também evidencia a relação entre memória, identidade e ritual cotidiano, evidenciando a estética têxtil da artista.

Beata America descreve a montagem como uma síntese de décadas de produção, destacando a evolução contínua da prática de Opoku. A galerista Mariane Ibrahim, parceira da artista, classifica Opoku como uma contadora de historias entrelaçadas por meio de tecidos e imagens. Ela ressalta a sensibilidade e o caráter pessoal da obra.

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