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Botox no dentista e preenchimentos no almoço: como viraram norma

Tratamentos estéticos não cirúrgicos ganham normalidade, com consultas durante almoço e ampliação do público, alterando padrões de beleza

‘No part of the body or face is without the constant imperative to optimise, improve, enhance,’ says feminist scholar Dr Renae Fomiatti. Composite: Victoria Hart/Guardian Design/Getty images
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  • Mary Munson, 41, iniciou com Botox dito como “baby Botox” e, desde então, faz tratamentos não cirúrgicos como PRP e PRF; ela vê os efeitos como discretos e pretende manter a pele melhor.
  • O mercado australiano de injetáveis cosméticos é estimado em US$ 2,7 bilhões, com projeção de crescimento anual de 19,3% entre 2024 e 2030; em 2024, foram realizados 20,5 milhões de procedimentos não cirúrgicos, 44% a mais que em 2020.
  • Os procedimentos são cada vez mais comuns, feitos até no intervalo do almoço, com linguagem de autocuidado que se popularizou no varejo e em clínicas próximas a shoppings.
  • Mulheres de várias idades e homens estão entre os clientes; tratamentos tendem a ser mais sutis e menos visíveis, abrindo espaço para um público mais amplo.
  • Há debates sobre pressões sociais, padrões de beleza e questões de classe, já que o custo pode representar um dia de salário ou mais para algumas trabalhadoras.

O uso de tratamentos estéticos não invasivos vem se tornando comum no dia a dia de mulheres comuns, não apenas de celebridades. O que era visto como sinal de riqueza agora é parte de consultas rápidas, inclusive durante o horário de almoço.

Mary Munson, 41, é uma dessas usuárias. Ela começou com um procedimento conhecido como “baby Botox” após uma dica de uma funcionária da clínica. Hoje, ela faz Botox periodicamente e também já experimentou terapias como PRP e PRF, que prometem estimular o colágeno.

Munson trabalha como professora e é mãe de dois filhos. Ela afirma ter notado pouca mudança perceptível, mas aponta que a prática se tornou parte de uma rotina de cuidado com a pele. Em seu círculo de amigas, três costumam usar esses tratamentos regularmente.

A transformação da rotina de beleza

Na prática, clínicas próximas a shoppings exibem serviços de injectáveis ao lado de procedimentos tradicionais, como remoção de dentes do siso. O atendimento em shoppings e consultórios comerciais reforça a ideia de “autocuidado” com linguagem de neoliberalismo.

Bianca Lorena Saldes, 38, começou a usar injectáveis enquanto trabalhava como enfermeira estética e hoje administra a própria clínica. Ela ressalta a necessidade de cautela, dizendo que não se trata de obrigação para parecer bem, comparando com massagens.

Mercado e regulação

Estudos indicam o crescimento do setor: a Grand View Research estima o mercado de injectáveis estéticos na Austrália em US$ 2,7 bilhões, com expectativa de crescimento anual de 19,3% entre 2024 e 2030. Em 2024, a International Society of Aesthetic Plastic Surgery registrou 20,5 milhões de procedimentos não cirúrgicos, 44% a mais desde 2020.

Em junho do ano passado, a Australian Health Practitioner Regulation Agency (AHPRA) intensificou regras setoriais, mas dados confiáveis ainda são difíceis de consolidar, dada a natureza descentralizada do setor e limitações sobre publicidade de procedimentos.

Contexto social e cultural

Especialistas ressaltam que a pressão para manter a aparência jovem não é exclusividade de mulheres de classes altas. Pesquisas apontam o papel crescente de tratamentos estéticos na vida cotidiana, inclusive entre profissionais de diferentes áreas, com homens representando parcela crescente de clientes.

Renas, pesquisadora da La Trobe University, destaca que a disponibilidade rápida de procedimentos e o custo relativamente acessível contribuem para normalizar o tema. A professora enfatiza a necessidade de encarar que não existe apenas o que é natural ou artificial para o envelhecimento.

Desdobramentos recentes

Observadores indicam que a presença de tratamentos estéticos no dentista, em centros comerciais e em shoppings ajuda a reduzir a percepção de exclusividade. O debate envolve questões de equilíbrio entre autodisciplina corporal e pressões sociais para atender a padrões de beleza.

Para muitas pessoas, os tratamentos passaram a ser vistos como opções de cuidado pessoal, semelhante a ir à academia ou ao salão. Pesquisadoras destacam, porém, que isso pode reforçar normas de beleza ainda associadas a jovens, principalmente entre mulheres.

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