- Dois labradores do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, Iron e Léia, foram aposentados após anos de serviços de resgate, em Porto União (SC.
- Iron, com mais de dez anos de atuação, participou de mais de setenta ocorrências, tem sete certificações (uma internacional) e integrou equipes que atuaram em Brumadinho, Petrópolis e enchentes no Rio Grande do Sul.
- Durante as buscas em Brumadinho, Iron sofreu ferimento na pata dianteira, fez cirurgia, retornou às atividades e integrou a quarta equipe de bombeiros de Santa Catarina.
- Léia, filha de Iron e neta de Brasil, é a terceira geração da família de cães de resgate catarinenses; ela possui certificações em busca urbana, rural e de restos mortais e participou de Petrópolis em dois mil e vinte e dois.
- Os cães vivem com os condutores, treinam diariamente e trabalham com reforço positivo; Santa Catarina foi pioneira no modelo cão-condutor, mantendo a linhagem genética e a integração familiar.
Dois labradores do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina foram aposentados após anos de atuação em resgate. Iron, com mais de dez anos, e Léia, filha dele com oito, encerraram a carreira durante cerimônia em Porto União (SC). A dupla integra a linhagem que começou com Brasil, o primeiro cão de busca da corporação, iniciado em 2003.
Ao longo de mais de uma década, Iron participou de mais de 70 ocorrências e conquistou sete certificações, incluindo uma internacional. O binômio atuou em missões nacionais, como o rompimento da barragem de Brumadinho (MG) em 2019, integrando duas das quatro equipes catarinenses enviadas ao estado mineiro.
Durante as buscas em Brumadinho, o cão sofreu ferimento na pata dianteira por um espinho, passou por cirurgia no hospital de campanha e retornou às operações dez dias depois. Em seguida, integrou a quarta equipe de Santa Catarina e participou de resgates em Petrópolis (RJ), Presidente Getúlio (SC) e nas cheias do Rio Grande do Sul em 2024.
Iron atua principalmente em buscas terrestres em mata fechada. Em Xanxerê (SC), em fevereiro de 2020, encontrou um homem de 86 anos desaparecido há mais de 24 horas, já desidratado. Em Chapecó (SC), o labrador localizou ossadas de duas pessoas em um terreno suspeito durante uma varredura.
Legado e treinamento
Léia, terceira geração da linhagem catarinense, foi treinada pelo cabo David Canever, em Canoinhas. Ela consolidou certificações em busca urbana, rural e de restos mortais. Em 2022, Léia integrou o grupo de seis cães enviados ao Rio de Janeiro para apoiar as buscas em Petrópolis, ao lado do pai Iron, no Morro da Oficina.
Os bombeiros destacam que os cães de busca não vivem em canis, morando com os condutores e permanecendo prontos 24 horas por dia. O treinamento é baseado em reforço positivo, com a escolha pela raça labrador pela combinação de olfato, temperamento e relação com humanos em situações de estresse.
A rede de atuação catarinense enfatiza que todos os cães operacionais da corporação descendem de Brasil, mantendo uma árvore genealógica pensada para reduzir problemas genéticos. A prática é amplamente adotada por outras corporações do país.
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