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Transtorno disfórico pré-menstrual causa sofrimento intenso em mulheres

TDPM afeta milhões, com sintomas psicológicos graves; diagnóstico é raro e tratamento permanece desafiador, segundo a reportagem

Annika sofre de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) há mais de oito anos
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  • O transtorno disfórico pré-menstrual afeta cerca de 115 milhões de mulheres no mundo, representando de 2% a 5% da população em idade reprodutiva, com diagnóstico ainda pouco comum.
  • O TDPM provoca sintomas de humor intensos na fase lútea, próximo da menstruação, incluindo pensamentos suicidas; casos como o de Annika mostraram tentativa de overdose.
  • Pesquisadores na Escócia desenvolveram uma ferramenta de prevenção ao suicídio para identificar sinais de TDPM, incentivando médicos a considerar o ciclo menstrual durante as avaliações.
  • Existem opções de tratamento que vão desde antidepressivos até métodos hormonais e menopausa química; algumas pacientes recebem injeções para bloquear os hormônios.
  • especialistas ressaltam a importância de ouvir as mulheres e reconhecer negligência histórica; no Reino Unido, há avanços na estratégia de saúde da mulher para encaminhar pacientes ao atendimento adequado desde a primeira consulta.

Na manhã após uma tentativa de suicídio, Annika Waheed menstruou e sentiu alívio ao dissipar a escuridão da crise. Ela vive com transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) há mais de oito anos e descreve semanas de pensamentos suicidas que se intensificam antes da menstruação e fadeiam durante a fase lútea.

O TDPM é um transtorno mental grave ligado a alterações hormonais. Ao contrário da TPM, seus sintomas são mais intensos, com ansiedade, depressão, fadiga, dores de cabeça e dores articulares que acompanham também alterações de humor.

O diagnóstico raro e complexo dificulta o tratamento, afetando milhões. A condição ocorre uma ou duas semanas antes da menstruação, mas sua gravidade varia entre as mulheres e ao longo da vida.

O que diz a ciência e quem está envolvido

A IAPMD estima que o TDPM afeta entre 2% e 5% das mulheres em idade reprodutiva, equivalendo a cerca de 1 em cada 20. No entanto, muitos não recebem o diagnóstico adequado.

Pesquisadores na Escócia desenvolveram uma ferramenta para ajudar médicos a identificar sinais de TDPM e responder de forma mais eficaz, especialmente durante crises de suicídio. O objetivo é facilitar o reconhecimento da relação entre ciclo menstrual e saúde mental.

A pesquisadora Lynsay Matthews, da Universidade do Oeste da Escócia, destaca que o ciclo menstrual tem papel central, porém é pouco discutido nas consultas médicas. O modelo em desenvolvimento busca orientar profissionais sobre respostas ao suicídio em pacientes com TDPM.

O que mudou na prática e no cuidado

Em países como o Reino Unido, autoridades reconhecem a negligência histórica em relação às mulheres com TDPM e prometem mudanças. A Estratégia de Saúde da Mulher visa ouvir as pacientes desde a primeira consulta e encaminhá-las ao tratamento adequado rapidamente.

Entre as opções de tratamento, destacam-se antidepressivos, contraceptivos hormonais (pílula, DIU Mirena) e, em casos mais extremos, menopausa química ou remoção dos ovários. Annika já utiliza injeções para interromper o ciclo hormonal, com efeito temporário, sem eliminar completamente os períodos de crise.

Experiências individuais e redes de apoio

Katie Cook, diagnosticada com TDPM aos 21 anos, relata que o quadro começou na adolescência. Ela passou a monitorar o humor mensal e reconhece que o TDPM pode ter sido desencadeado pela primeira menstruação.

Com o aumento de relatos nas redes, o TDPM ganhou visibilidade: o número de publicações com a hashtag relacionada ultrapassa milhões de visualizações no TikTok, ampliando a conscientização sobre o tema.

Desafios do diagnóstico e do tratamento

Para quem recebe o diagnóstico, surgem opções que exigem tentativa e erro. Além de antidepressivos, várias estratégias hormonais são usadas para regular o ciclo. A resposta individual varia e nem todas as abordagens funcionam para todas as pacientes.

Annika aponta que o simples reconhecimento de que o TDPM está presente já representa um avanço. Ao ser entendido pelos profissionais de saúde, o diálogo com familiares e amigos pode melhorar a rede de apoio.

Perspectivas futuras e impactos

Lily Rose Winter, de 31 anos, encara a possibilidade de iniciar a menopausa química após anos sem melhora significativa. Ela participa de uma comunidade online crescente dedicada ao TDPM e reforça a importância de compreender o impacto mensal da condição.

Especialistas ressaltam a necessidade de ouvir mais as mulheres e de considerar o TDPM como uma condição de saúde pública que exige diagnóstico rápido e tratamento adequado. A esperança é que novas ferramentas contribuam para reduzir sofrimento e riscos associados.

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