- A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a operação Último Suspiro para cumprir mandados de busca e apreensão contra um grupo que fazia movimentações financeiras suspeitas e controlava empresas de um empresário com câncer em estágio terminal.
- As investigações apontam que o grupo passou a controlar as contas das empresas da vítima e alterou o testamento poucos minutos antes de sua morte, além de tomar decisões relacionadas às empresas.
- O esquema envolvia fraude com precatórios de valor elevado, com controle dos recursos recebidos de ações judiciais contra o Estado.
- Os criminosos criaram novas pessoas jurídicas para dispersar a movimentação financeira e dificultar o rastreamento, com alterações administrativas ocorridas três meses antes da morte.
- Destacaram-se movimentações como a transferência de aproximadamente R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes da morte e um depósito de R$ 1,1 milhão na conta de um investigado uma semana depois.
Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta segunda-feira (1º) na operação que mira um grupo responsável por movimentações financeiras suspeitas ligadas a um empresário com câncer em estágio terminal no Rio de Janeiro. Os investigadores apontam controle de contas de empresas da vítima e alterações no testamento poucas horas antes da morte.
A ação, deflagrada pela Delegacia de Defraudações (DDEF) com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), ocorre em quatro regiões da cidade. Os investigados podem responder a quatro crimes relacionados a fraudes e gestão irregular de bens.
Investigações e indícios
Segundo a polícia, o grupo criou novas pessoas jurídicas para dispersar o fluxo de recursos e dificultar o rastreamento. As apurações apontam que as alterações societárias ocorreram três meses antes da morte do empresário.
Entre os indícios, houve a transferência de um precatório de cerca de 38,5 milhões de reais para escritórios de advocacia, poucos dias antes do falecimento. Dois horários-chave aparecem: duas horas antes da morte houve alteração do testamento.
Uma semana após a modificação, ocorreu o depósito de 1,1 milhão de reais na conta de uma das pessoas ligadas ao grupo. As movimentações reforçam a hipótese de desvio patrimonial ligado à recuperação judicial.
Contexto e desdobramentos
A investigação teve início há dois meses e aponta fraudes envolvendo valores recebidos por meio de precatórios oriundos de ações contra o Estado. Além disso, o grupo estaria no controle de decisões relacionadas às empresas da vítima.
Os trabalhos seguem em curso, com colaboração entre a DDEF e o DGPE para identificar envolvidos, fontes de recursos e destino final dos valores desviados. As apurações devem avançar com análise de documentos e registros bancários.
Sobre a operação
A ação, batizada de Último Suspiro, busca elucidar as circunstâncias do desvio e responsabilizar os envolvidos. As informações são acompanhadas pela polícia e pela Justiça, com base em evidências coletadas durante as diligências.
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