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Dentro da maior prisão feminina do Japão: condições e detalhes

Reforma de 2025 substituiu o trabalho obrigatório pela combinação com reabilitação; em Tochigi, detentas continuam costurando sob rígida vigilância

Em Tochigi, detentas trabalham com o barulho incessante das máquinas de costura
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  • A prisão feminina de Tochigi, a maior do Japão, abriga 456 detentas e será fechada em dois anos devido ao estado precário e à baixa ocupação, com transferências para outras unidades.
  • O trabalho continua no cotidiano: das sete e quarenta da manhã às dezesseis e meia, cinco dias por semana, com intervalo de trinta minutos para o almoço, e remuneração de R$ 140,00 por mês. As funções variam entre costura, dobra de origami, cozinha, lavanderia e conserto de cadeiras de rodas.
  • Em junho de 2025 houve uma reforma no código penal que eliminou o trabalho obrigatório, introduzindo uma pena única de privação de liberdade com foco na reabilitação, tratamento e preparação para a vida após a soltura.
  • O diretor da prisão afirma que o trabalho continua central, mas pode haver combinação com formação profissional, tratamento para dependência e acompanhamento psicológico; Salas de reflexão foram criadas para abordar questões emocionais.
  • O perfil das detentas é diverso: muitas são idosas ou têm limitações, e quase um quinto são estrangeiras que falam 19 idiomas; cerca de 80% costumam ser libertadas antes do tempo previsto.

Dentro da maior prisão feminina do Japão, Tochigi, o cotidiano após a reforma de junho de 2025 permanece marcado pela disciplina e por condições duras. Um ano após a mudança que aboliu o trabalho obrigatório, as detentas continuam em um regime rígido, com trabalhos variados e controle rígido de acesso.

As 456 presas cumprem as penas na instituição situada a 90 minutos de trem ao norte de Tóquio. A prisão enfrenta o envelhecimento das instalações e será fechada em dois anos, com transferência de equipes e detentas para outras unidades do país.

As mulheres trabalham de segunda a sexta, das 7h40 às 16h30, com meia hora de almoço. O salário, segundo dados oficiais, é muito baixo, aproximadamente 140 reais por mês. As atividades incluem costura para contratante privado, origami, cozinha, lavanderia e manutenção de cadeiras de rodas.

Mudança para a ressocialização

A reforma histórica do código penal japonês substituiu a antiga obrigação de trabalhar pela privação de liberdade com foco na reabilitação, tratamento e reinserção social. A nova pena busca equilibrar trabalho e formação profissional, saúde mental e apoio à reintegração.

O objetivo oficial foi reduzir a taxa de reincidência, que chega a nearly 50%. Com a reforma, a prisão passou a oferecer orientação, programas de dependência, acompanhamento psicológico e preparação para a vida após a soltura, conforme o perfil de cada detento.

O diretor da penitenciária, Kiyochika Miyoshi, sustenta que o papel do trabalho permanece central, mesmo com a mudança. Questionado sobre casos de doença ou idade avançada que impeçam a trabalharem, ele aponta para a atuação de programas de tratamento integrados.

Desafios e perspectivas

Relatos de direitos humanos apontam falhas no tratamento de mulheres em prisões japonesas, com restrições de comunicação e acesso limitado ao mundo externo. Há críticas sobre condições de saúde, atendimento médico e tratamento de gestantes, conforme organizações internacionais.

Em Tochigi, surge o contraste entre salas de reflexão, disponíveis para diálogo com especialistas, e as celas austere, de cerca de seis metros quadrados. A presença de detentas em tratamento médico ou com limitações físicas evidencia a necessidade de ajustes no sistema.

O grupo de detentas é majoritariamente estrangeiro, com falas em 19 idiomas. Muitas estrangeiras sofreram por tráfico de drogas. O diretor destaca que há pouco investimento em aulas de japonês, diante do retorno previsto aos países de origem.

Ainda assim, Miyoshi ressalta aspectos positivos: formação profissional em áreas como cabeleireiro, cuidadora, esteticista e operador de empilhadeira; além de um curso de negócios de três meses. A taxa de libertação antecipada fica em torno de 80% para as detentas, com exceção das condenadas por assassinato.

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