- Em maio, 1.500 beagles foram libertados da Ridglan Farms, fazenda de criação e pesquisa próximo a Madison, Wisconsin.
- Grupos de resgate receberam milhares de pedidos de foster ou adoção, com os cães expostos pela primeira vez ao mundo externo após anos de criação para pesquisas.
- Em 2025, a fazenda foi investigada por maus-tratos a animais; a empresa concordou em encerrar as operações de criação para venda em 1º de julho para evitar processo.
- Em março de 2026, ativistas realizaram uma operação na fazenda; em abril houve grande protesto e a polícia usou spray de pimenta para impedir novas remoções.
- Famílias e organizações de resgate relatam que os cães precisam de tempo e acompanhamento para se ajustar, com exemplos como Chester e Elroy recebendo apoio de outros cães e de treinadores.
No mês de maio, 1.500 beagles foram libertados da Ridglan Farms, uma instalação de criação e pesquisa biomédica próximo a Madison, Wisconsin. O gesto ocorreu após investigações que apontaram maus‑tratos aos animais e obrigou a fazenda a encerrar as operações de criação para venda até 1º de julho. A liberação ocorreu, em grande parte, para facilitar a reabilitação e realocação dos cães.
Logo após o anúncio, organizações de resgate animal envolveram-se na operação, recebendo centenas de solicitações de famílias interessadas em foster ou adoção. A Beagle Freedom Project, que coordena parte do processo, informou que muitos beagles eram criados especificamente para pesquisa e tinham pouca ou nenhuma experiência com o mundo exterior.
Os cães nasceram e foram criados na Ridglan Farms, segundo informações da ONG. Muitas animalmente enfrentavam medo e retraimento ao serem expostos ao ambiente externo. A fazenda já enfrentava um processo legal por supostos maus‑tratos, com a propriedade concordando em interromper a cria para fins de venda frente a possíveis acusações.
Desdobramentos da operação de resgate
Em março de 2026, ativistas entraram na fazenda e removeram 13 cães. No mês seguinte, mais de 1.000 ativistas foram ao local e houve confronto com a polícia, que utilizou spray de pimenta e balas de borracha para impedir novas retiradas. Não houve libertação de cães em abril, porém as imagens geraram impulso para a campanha.
Entre maio e junho, as organizações de resgate adquiriram 1.500 cães da Ridglan e iniciaram o processo de realocação. Uma voluntária de fora do estado, que acompanhou o resgate, destacou que foi preciso triagem veterinária e encaminhamento adequado a cada abrigo ou família.
Vários adotantes e famílias de foster já passaram pelo processo seletivo. A NYC Second Chance Rescue, por exemplo, recebeu 15 cães da operação e avaliou candidaturas com foco em quem tivesse experiência com cães traumatizados. Mesmo com esse critério, os adotantes receberam avisos sobre as dificuldades possíveis.
Caracteristicamente, alguns beagles mantêm traços de medo ao conviver com pessoas, outros apresentam resistência inicial a água, ruídos e deslocamentos. Especialistas lembram que o processo pode exigir tempo, treino e compreensão individual de cada animal.
Entre os casos relatados, destaca-se a história de Chester, um beagle de dois anos que foi acolhido por Zoe Rosenberg, ativista de direitos dos animais, em Wisconsin. O cão passou por semanas de adaptação antes de ser incluído no cotidiano da nova família na Califórnia, demonstrando reações de ansiedade no início.
Adotantes destacam que a adaptação varia bastante entre os cães. Em alguns casos, os cães passam a responder a treinamentos com paciência e podem aprender a caminhar com coleira, brincar com brinquedos e interagir com outros animais.
A experiência de acolhimento envolve apoio de profissionais, como treinadores e consultores comportamentais, que orientam sobre como oferecer espaço e tempo aos cães para que avancem em seu próprio ritmo. O objetivo é garantir segurança, autonomia e afeto aos animais.
Para as famílias acolhedoras, o processo tem sido recompensador, com relatos de avanços como o primeiro bracejo, o primeiro passeio na grama e a primeira brincadeira com brinquedos. A equipe de resgate continua monitorando a adaptação e incentivando práticas de bem‑estar para cada cão.
No conjunto, a operação de resgate busca equilibrar a reabilitação com a realidade de que muitos cães podem exigir tratamento prolongado e ajustes contínuos. O caso da Ridglan Farms ressalta a complexidade da transição entre ambientes de laboratório e lares permanentes.
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