- Polícia Militar prendeu um comerciante de 37 anos em Contagem e apreendeu cerca de 100 rolos de linha chilena em uma loja de pipas, após denúncia.
- A linha chilena é proibida em Minas Gerais por ser ainda mais cortante que o cerol e oferece risco a pedestres, ciclistas e motociclistas.
- Ravi Oliveira Dias, de 1 ano e 9 meses, morreu no dia 27 de maio após ser atingido no pescoço por uma linha chilena enquanto brincava com um velotrol.
- A Guarda Civil de Contagem lançou a “Operação Ravi” para coibir o uso e a venda de linhas cortantes; no primeiro dia, foram apreendidos mais de sessenta carretéis.
- O jovem de 19 anos apontado como responsável pela linha recebeu liberdade provisória, com restrições de não deixar Contagem sem autorização e de comparecer à Justiça a cada dois meses.
Oito dias após a morte do bebê Ravi Oliveira Dias, ocorrido em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Polícia Militar deflagrou uma operação que resultou na prisão de um comerciante suspeito de vender linha chilena. Aproximadamente 100 rolos do material foram apreendidos em uma loja de pipas no bairro Parque São João.
Segundo a PM, o proprietário, um homem de 37 anos, mantinha o material cortante armazenado dentro da loja. A apreensão foi autorizada após denúncia anônima que indicava a venda do item no estabelecimento. A linha chilena é ainda mais cortante que o cerol e possui venda, fabricação e armazenamento proibidos em Minas Gerais, por oferecer riscos a pedestres, ciclistas e motociclistas.
Caso Ravi
O acidente envolvendo Ravi ocorreu no dia 27 de maio. A investigação aponta que a criança, que brincava em frente à casa, ficou presa a uma linha chilena quando uma motocicleta passou pelo local. Com o movimento da moto, a linha se esticou e atingiu o pescoço do menino, que não resistiu aos ferimentos e faleceu.
Na última sexta-feira, a Justiça concedeu liberdade provisória ao jovem de 19 anos apontado como responsável pela linha. A decisão impôs restrições de deslocamento e necessidade de comparecimento periódico em juízo. A defesa informou que ele admitiu o uso de linha chilena para soltar pipa na região.
Operação Ravi continua
A Guarda Civil de Contagem nomeou a operação de “Ravi contra uso de cerol e linha chilena” para desarticular a comercialização do material. Iniciada no último domingo, a ação prevê fiscalização intensificada para coibir a venda e o uso de linhas cortantes, com desdobramentos previstos para os próximos fins de semana.
A polícia informou que, no primeiro dia, foram apreendidos mais de 60 carretéis de cerol e linha chilena. Os trabalhos devem continuar com monitoramento e ações de fiscalização em pontos estratégicos da cidade.
Aspectos legais
A venda de linhas cortantes é proibida e pode ensejar diferentes crimes previstos na legislação brasileira. Entre as possibilidades, estão infrações relacionadas às relações de consumo, com pena variando de dois a cinco anos de detenção ou multa. Dependendo do caso, a conduta pode ainda caracterizar crime contra a saúde pública.
Além das sanções criminais, o comerciante pode ter o alvará suspenso, além da apreensão de mercadorias e eventual aplicação de multas administrativas. O suspeito foi encaminhado à delegacia para as medidas cabíveis pela Polícia Civil.
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