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Incontinência urinária precisa entrar na agenda pública do envelhecimento

Especialistas dizem que a incontinência urinária entre idosos não pode permanecer invisível e precisa entrar na agenda pública de envelhecimento

Incontinência urinária afeta 3 milhões de idosos no Brasil
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  • A incontinência urinária atinge mais de 3 milhões de idosos no Brasil, cerca de 10% da população nessa faixa etária, e segue como tema pouco debatido e invisível.
  • Especialistas defendem que o problema deixe o constrangimento privado para trás e passe a integrar a agenda pública de envelhecimento e saúde.
  • Fatores como acesso a fraldas, banheiros adaptados e orientação adequada dificultam o diagnóstico precoce e incentivam soluções caras e inadequadas.
  • Barras de apoio, adaptações domésticas e exercícios pélvicos são citados como alternativas que preservam autonomia, reduzindo quedas e internações.
  • O debate aponta ainda para a necessidade de mudanças na prática hospitalar e na construção de dados confiáveis, já que o estigma contribui para subnotificação e subtratamento.

A incontinência urinária precisa deixar o tabu e ganhar espaço na agenda pública de envelhecimento. Especialistas apontam que o tema carrega estigma semelhante ao que cercava a pobreza menstrual no passado, dificultando acesso a informações, diagnóstico e tratamento.

Evento ocorreu na última segunda-feira, 1º, em encontro na Fiesp, em São Paulo. O objetivo é ampliar o debate público sobre higiene, envelhecimento e políticas de saúde, para reduzir a invisibilidade do problema entre idosos.

Dados apresentados no encontro indicam que mais de 3 milhões de idosos no Brasil relatam sintomas de incontinência, aproximadamente 10% desse grupo. A proporção é alta e evidencia a necessidade de ações públicas.

A discussão ressalta que a invisibilidade do tema contribui para subnotificação e atraso no diagnóstico, dificultando o uso de intervenções preventivas e de qualidade de vida para a população idosa.

A pesquisadora Larissa Chaves Pedreira, da UFBA, destaca a burocracia para obter fraldas pelo poder público, com laudo médico, cadastro e prazos de liberação que costumam atrasar cuidados. Ela cita relatos de usuários com vazamentos e adesivos inadequados.

Segundo Pedreira, muitos idosos recorrem a soluções improvisadas por conta da dificuldade de acesso, o que aumenta os custos com creme para pele, pomadas e outros produtos para prevenir assaduras.

O pesquisador Peter Lloyd-Sherlock enfatiza que há custo econômico significativo: além do gasto com fraldas, é preciso considerar tecnologias assistivas e adaptações domiciliares que preservem autonomia, como barras de apoio e elevadores de vaso.

Ele ressalta ainda que o tratamento inadequado pode ampliar internações e surgimento de infecções, impactando o sistema de saúde à medida que a população envelhece. A projeção é de dobrar o número de pessoas com mais de 70 anos em duas décadas.

Professora Yeda Duarte, da USP, afirma que discutir higiene é discutir direitos e dignidade. Ela critica práticas hospitalares que, por vezes, utilizam fralda como padrão, mesmo quando o paciente pode usufruir de banheiro com apoio, aumentando riscos de infecções e quedas no pós-alta.

Duarte defende revisão de hábitos de cuidado domiciliar, com soluções simples e menos invasivas, como urinóis ao lado da cama para evitar deslocamentos noturnos, ligados à preservação da autonomia do idoso.

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