- Jovens de bairros periféricos participam de painéis sobre direito à água na Fundição Progresso, neste sábado (6), visando confeccionar a Declaração das Juventudes.
- O documento será encaminhado às autoridades brasileiras e à Conferência de Águas da ONU, marcada para 2 a 4 de dezembro nos Emirados Árabes Unidos.
- O Marco Legal do Saneamento estabelece universalização até o fim de 2033: 99% da população com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
- Investimentos estimados variam entre 114 bilhões de reais por ano e até 900 bilhões de reais até 2033, segundo especialistas e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico.
- Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento apontam 84,1% de atendimento com água encanada, 62,3% com rede coletora de esgoto e 51,8% do volume gerado é tratado.
Acontece neste sábado, no Rio de Janeiro, um encontro de jovens de bairros periféricos e comunidades vulnerabilizadas na Fundição Progresso, próximo aos Arcos da Lapa. O tema central é a água, com painéis sobre direito ao saneamento e resiliência climática. No fim do dia, será confeccionada a Declaração das Juventudes.
A atividade é organizada pela ONG Águas Resilientes e culmina na criação de um documento com propostas que será enviado a autoridades brasileiras e à Conferência da Água da ONU, marcada para 2 a 4 de dezembro nos Emirados Árabes Unidos. O objetivo é ampliar a governança da água no cenário internacional.
Desafios e custos
Especialista em planejamento urbano destacou o custo de universalizar o saneamento no Brasil, que o Marco Legal do Saneamento prevê alcançar até 2033. A meta inclui 99% da população com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
Segundo a analista, são necessários investimentos da ordem de R$ 114 bilhões por ano para cumprir a meta, cifra que dialoga com estimativas da ANA, que projetam até R$ 900 bilhões até 2033. O foco, porém, não está apenas no recurso, mas no custo de não agir.
Dados do SNIS indicam que 84,1% da população recebe água via rede; a coleta de esgoto alcanja 62,3%, e 51,8% do volume gerado é tratado. Os números ajudam a situar debates sobre acesso, cidadania e qualidade de vida.
Vozes da participação popular
A ativista Johari Silva, da Ação da Cidadania, associa o direito à água à dignidade humana, destacando a necessidade de ouvir comunidades tradicionais, periferias e povos indígenas na diplomacia climática. Afirmou que jovens devem ocupar espaços de decisão.
Apoio institucional também surge: Sylvia Siqueira, da Open Society Foundations, enfatizou que os jovens não são apenas o futuro, mas referências para o presente. O cientista Matheus Marlisson reconheceu o papel do Brasil na diplomacia global sobre água e clima.
Visão local e ações comunitárias
Dani Monteiro, deputada estadual pelo PSOL-RJ, ressaltou que governança da água é um desafio e que encontros como o deste sábado ajudam a estabelecer marcos de participação cidadã. A parlamentar atua na Comissão de Direitos Humanos da Alerj, defendendo justiça hídrica ligada à justiça climática.
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