- Erbaluce di Caluso DOCG, Piemonte: uma uva branca de alta acidez com três expressões na mesma denominação — seco, espumante e doce Caluso Passito — com destaque para notas florais, minerais, damascos e acidez que resiste ao tempo.
- Alta Langa DOCG, Piemonte: espumante tradicional feito apenas com Pinot Noir e Chardonnay, safrado, com no mínimo 30 meses sobre borras (36 meses na versão Riserva), produzido por pequenos produtores da região de Langhe e Monferrato.
- Orvieto DOC, Umbria: brancos de Grechetto e Procanico, produção artesanal com rendimentos moderados e envelhecimento sobre borras, destacando o terroir do tufo vulcânico.
- Morellino di Scansano DOCG, Toscana: Sangiovese com outros varietais, vinhos mais frescos e macios, celebrados desde a elevação a DOCG a partir de 2007, com estilos Annata e Riserva.
- Pantelleria Passito DOC, Sicília: vinho doce de Zibibbo (Moscatel de Alexandria) produzido em uvas secas ao sol, com vinhos icônicos Ben Ryé e Bukkuram, expressão histórica e mediterrânea da ilha.
Ao longo da última década, vinhos italianos ganharam espaço no índice Liv-ex entre as melhores performances de vinhos finos. Tintos de Piemonte e Toscana impulsionaram a tendência, aproximando preços e prestígio de Bordeaux e Borgonha. A evolução representa ganho de qualidade na indústria italiana.
Embora Barolo, Brunello e Amarone sejam referência, há uma Itália menos conhecida que merece atenção. As denominações pouco exploradas combinam qualidade e bom custo-benefício, com expressões distintas que revelam o potencial regional.
Erbaluce di Caluso DOCG, Piemonte
Vinhedos na região de Canavese, sob Ivrea, produzem a Erbaluce, uva branca de alta acidez. Foi o primeiro branco do Piemonte a ter DOC, em 1967, e DOCG em 2010. Três vinhos surgem na mesma denominação a partir da mesma variedade.
Na seca, apresenta notas florais, mineralidade e núcleo salino. A versão espumante, pelo método tradicional, tem mínimo de 15 meses sobre as borras. O doce Caluso Passito resulta de uvas secas, com envelhecimento longo, mantendo acidez para longevidade.
Produtores de peso incluem Orsolani, Ferrando, Cieck e Favaro. Primavite, de Roberto Crosio, e rótulos de Luca Leggero também ganham destaque.
Alta Langa DOCG, Piemonte
Espumantes piemonteses de alto valor, feitos apenas com Pinot Noir e Chardonnay. Os vinhos devem ser safrados, fermentando em garrafa e envelhecendo no mínimo 30 meses sobre as borras; a versão Riserva exige 36 meses.
Ao contrário de Franciacorta, a Alta Langa é formada principalmente por pequenos produtores, aproveitando as temperaturas mais frias das colinas de Langhe e Monferrato. Solos de marga calcária ajudam a manter acidez vibrante e textura refinada.
Enrico Serafino figura entre os nomes mais premiados da denominação, com Barolo e casas como Coppo contribuindo para a relevância crescente.
Custoza DOC, Vêneto
Vinhedos às margens sul do Lago de Garda produzem brancos que vêm ganhando reconhecimento. A base é um corte com Garganega, Trebbiano, Trebbianello, Bianca Fernanda e Malvasia, em vinhedos de solos pedregosos.
A expressão varia de vinhos leves, cítricos, até brancos mais densos e com potencial de envelhecimento. O terroir morênico oferece equilíbrio entre fruta, herbáceos e mineralidade.
Quatro vinhos exemplificam a ambição crescente da região em Superiore: Campo del Selese (Albino Piona), Ca’ del Magro (Monte del Frà), Amedeo (Cavalchina) e Summa (Cantina Gorgo).
Orvieto DOC, Úmbria
Orvieto tem tradição vinícola desde os etruscos, com adegas esculpidas no tufo. Pelo menos duas dezenas de produtores artesanais elaboram brancos a partir de Grechetto e Procanico, demonstrando sofisticação mesmo com rendimentos reduzidos.
Os vinhos ganham complexidade com envelhecimento suave sobre borras. Regiões próximas ao rio e bolsões argilosos ajudam a expressão do terroir. Campo del Guardiano, da Palazzone, é referência, ao lado de Decugnano dei Barbi e Argillae.
Morellino di Scansano DOCG, Toscana
Vinhedos da Maremma mostram Sangiovese com influência marítima, resultando em vinhos mais frescos e abertos que os do interior. O corte costuma ter pelo menos 85% de Sangiovese, com apoio de outras variedades como Ciliegiolo, Colorino, Cabernet e Merlot.
O clima mediterrâneo, aliado às brisas do mar, produz vinhos carnudos e macios, aptos tanto para consumo jovem (Annata) quanto para envelhecimento (Riserva, mínimo de dois anos). Fattoria Le Pupille, Roccapesta e Moris Farms são referências recentes.
Romagna DOC Sangiovese Predappio, Emilia-Romagna
Sangiovese de Predappio ganha identidade própria na Emilia-Romanha, região mais associada à gastronomia. Solos de argila, calcário e spungone favorecem um estilo fresco e aromático, mais contido que o da Toscana.
Chiara Condello é reconhecida como embaixadora local, estimulando produtores próximos como Noelia Ricci, Drei Donà e Fattoria Nicolucci. Menores rendimentos, parcelas selecionadas e uso de carvalho neutro ajudam o terroir a se expressar.
Predappio tornou-se subzona autorizada da Romagna DOC, elevando a categoria de expressão da Sangiovese na região.
Montefalco DOC, Úmbria
Sagrantino é a uva emblemática de Montefalco, mas a expressão Rosso vem ganhando espaço. O Rosso, tradicionalmente um complemento do Sagrantino di Montefalco, começa a competir com a Sangiovese em termos de perfil.
Alguns produtores tratam o Rosso como vinho sério por mérito próprio, com cortes de Sangiovese e Sagrantino, oferecendo personalidade mais escura e gastronômica. Exemplares notáveis aparecem com Antonelli San Marco, Tabarrini e Arnaldo Caprai.
Piceno DOC, Marche
Piceno é a maior denominação tinta da Marche, cobrindo a metade oriental da região. A assemblage base Montepulciano (35% a 85%) e Sangiovese (até 50%) gera vinhos com cor, fruta escura, estrutura e acidez.
Rosso Piceno Superiore, restrito a alguns municípios das colinas de Ascoli Piceno, tende a ser mais longevo e expressivo. O tema principal da Marche continua sendo Verdicchio, mas os tintos de Piceno ganham espaço entre produtores como Saladini Pilastri, Velenosi e Cocci Grifoni.
Pantelleria Passito DOC, Sicília
Pantelleria, ilha vulcânica ao sul da Sicília, abriga um dos doces italianos mais característicos. A Zibibbo (Moscatel de Alexandria) é cultivada em vinhedos em alberello, protegidos pela topografia e pelo clima extremo.
As uvas maturam ao sol, passam por secagem e viram Passito com equilíbrio entre aromas intensos e acidez. Ben Ryé, da Donnafugata, e Bukkuram, de Marco De Bartoli, são rótulos representativos.
O Passito di Pantelleria une opulência de uvas secas e a disciplina de solos vulcânicos, resultando em um doce mediterrâneo com identidade própria.
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