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Com 250 anos, museus não acompanham o momento do país

Museus enfrentam pressão política e cortes orçamentários no America 250, buscando narrativas mais inclusivas e precisas diante de distorções históricas

A painting of a chaotic scene at dusk shows white crowds in colonial garb pulling down a statue. A Native couple is silhouetted in hte foreground.
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  • O evento America 250 projeta uma narrativa centrada na “história da nação” com vídeos no Washington Monument e imagens de figuras como Donald Trump e Charlie Kirk, alinhados a uma visão white supremacist, destacando apenas partes selecionadas da história americana.
  • Entre as ações, está a exibição de uma estátua de Caesar Rodney, signatário da Declaração, que foi retirada de Wilmington e será instalada em uma praça na Avenida Pennsylvania, próxima a Martin Luther King Jr.
  • A organização por trás das atrações é ligada a produtores de comícios de Trump; em 2025, contratos de governo sem licitação somam mais de 26 milhões de dólares para essa equipe.
  • Museus nos EUA divulgam exposições que procuram revisar o cânone histórico, com programas em cidades como Filadélfia, Nova York, Boston e Rockwell (Nova Iorque), além de projetos itinerantes pelo país.
  • Críticos destacam que, apesar de esforços, as instituições culturais trabalham de forma contida diante de pressões e censuras, com algumas iniciativas relevantes, como a mostra “Democracy Matters” no New-York Historical Society, buscando abordar direitos civis, democracia e pertencimento nacional.

A celebração de 250 anos da nação ganhou contornos críticos quando a programação oficial de America 250 mostrou distorções históricas e apoio a projetos ligados a figuras associa das ao governo de Donald Trump. Banners com retratos de Trump foram erguidos em prédios federais ao longo do Mall de Washington, assim como imagens de Charlie Kirk na fachada do Department of Education.

A polêmica envolveu a China da narrativa histórica apresentada pela iniciativa A250, que projetou no Monumento Washington uma história de 24 minutos com foco em realizações territoriais e figuras como Columbus, Lewis e Clark, com pouca presença de perspectivas indígenas. A obra foi repetida a cada 30 minutos durante uma semana.

Museus e programação cultural

Em fevereiro, o National Park Service informou o calendário de exibição de uma estátua de Caesar Rodney, signatário da Declaração que era proprietário de escravos. A peça será instalada em uma praça na Pennsylvania Avenue, dedicada a Martin Luther King Jr. Essas escolhas alimentaram o debate sobre o papel de museus e instituições públicas na mediação de narrativas nacionais.

A produção por trás da A250 surge de uma empresa associada aos organizadores de comícios de Trump, incluindo o ocorrido em 6 de janeiro. Em 2025, contratos sem licitação com o governo federal somaram mais de 26 milhões de dólares para essa equipe.

Controvérsias e curadoria

Mesmo diante de críticas, museus projetam ações para ampliar perspectivas. Em Philadelphia, a reordenação de acervos de arte americana integra 120 obras da família Middleton, proprietária do time de beisebol Phillies, em uma mostra conjunta chamada A Nation of Artists. A cidade também sediará o All-Star Game.

Nova York recebe a mostra Folk Nation no American Folk Art Museum, explorando a relação entre arte popular e identidade nacional. Em Corning, o Rockwell Museum apresenta a mostra Native Now e participa da turnê Gateways, que reúne obras de artistas afro-americanos ao longo de 150 anos.

Outros focos e parcerias

O Museum of Fine Arts, Boston, abre America at 250 com novas leituras sobre identidade e nação, conectando obras de artistas nativos e não nativos das Américas. O acervo inclui peças de Paul Revere e de Mohawk artista Alan Michelson, em diálogo com a obra de Gilbert Stuart.

Washington recebe a National Gallery of Art, que participa da rede Across the Nation, levando obras a museus de várias regiões. Em paralelo, o NGA apresenta Dear America e American Icon, além de um conjunto de objetos adicionados ao acervo para reforçar a narrativa histórica.

Perspectivas e desdobramentos

O Smithsonian, por meio do programa Much Here Is Beautiful, relembra pesquisas fotográficas da bicentenária que ajudam a revelar avanços e retrocessos da história dos EUA. A instituição também destaca que a era A250 incentiva menos comissões a artistas contemporâneos, em contraste com respondês de épocas anteriores.

No panorama, iniciativas como The Hour of the Dog e Freedom Dreams abordam movimentos civis e vidas negras, reforçando a necessidade de uma visão mais ampla sobre liberdade, raça e cidadania. Museus e instituições públicas seguem explorando caminhos para maior pluralidade histórica.

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