- Harmonie Perrone, de 28 anos, teve suspeita de gravidez ectópica e buscou atendimento médico imediato para receber metotrexato, risco de vida.
- No hospital Advocate Good Shepherd, em Illinois, ela não foi atendida e acabou recebendo diagnóstico sem tratamento adequado, sendo enviada a um médico que recusou o medicamento.
- Perrone teve o atendimento negado novamente em um segundo local, levando a uma demora de mais de 24 horas para receber o tratamento, o que contribuiu para a perda de fertilidade.
- Ela abriu uma ação judicial contra o hospital e a médica Dra. Dympna Coll, afirmando violação de leis estaduais e federais que obrigam estabilizar pacientes em emergências e transferir se necessário.
- Defensores dizem que Illinois garante atendimento emergencial independentemente de crenças religiosas, e que casos como este expõem falhas no acesso a cuidados de aborto e gravidez ectópica, com impacto sobre a saúde e a fertilidade.
Harmonie Perrone, 28 anos, processa o hospital Advocate Good Shepherd, em Illinois, alegando atraso no atendimento durante uma gravidez ectópica que quase tirou sua vida e resultou na perda de fertilidade. A ação, apresentada nesta segunda-feira, contestua o tratamento recebido no hospital religioso.
Segundo Perrone, ao suspeitar de uma ectópica, foi orientada a buscar cuidado imediato, conforme recomenda o padrão médico. O hospital realizou apenas ultrassom e encaminhou para atendimento no dia seguinte, em uma clínica que, segundo a paciente, funcionava como spa médico, o que atrasou o tratamento com metotrexato.
Ao longo de horas, a paciente afirma que houve recusa de oferecer o medicamento essencial para interromper a gravidez ectópica, embora a prática clínica indique o uso rápido de metotrexato. Perrone relata que a médica questionou o direito ao procedimento e citou avaliação entre vida da mãe e do feto.
Após buscar atendimento em outra clínica e, posteriormente, em outro hospital, Perrone recebeu metotrexato mais de 24 horas depois da primeira tentativa de atendimento. Em seguida, ocorreu uma cirurgia para salvar a outra tuba, mas a ruptura perdeu a fertilidade.
Acompanhando o processo, Perrone afirma que a demora resultou na necessidade de remoção de uma tuba, encerrando a possibilidade de conceber naturalmente. Ela sustenta que uma intervenção mais rápida poderia ter preservado a fertilidade.
Ação tramita em Illinois, Estado que, segundo a defesa, protege direitos reprodutivos e obriga o fornecimento de atendimento emergencial independentemente de objeções religiosas. Advogados de Perrone apresentam ainda uma queixa federal associado ao EmTala.
A dirigente jurídica Molly Duane, da Amplify Legal, afirma que a história revela falhas em um estado considerado exemplo de proteção a direitos reprodutivos. ACLU de Illinois também apoia Perrone, destacando a obrigação de estabilizar ou transferir pacientes em emergências.
O caso envolve questionamentos sobre limites entre consciência médica de instituições religiosas e obrigações legais de atendimento em situações de risco de vida. A parte autora aponta violação de leis estaduais e federais relativas a emergências médicas e direitos da paciente.
Em Illinois, a lei de Serviço de Emergência Hospitalar define gravidez ectópica como condição médica aguda que exige estabilização. A Health Care Right of Conscience Act não se aplica a emergências, segundo especialistas consultados pela reportagem.
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