- A celebração de 115 anos das Assembleias de Deus no Brasil ocorre em 18 de junho de 2026, destacando-se como a maior denominação evangélica do país.
- A igreja nasceu do trabalho missionário dos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que chegaram ao Brasil após experiências pentecostais nos Estados Unidos e se reuniram, inicialmente, à Igreja Batista em Belém do Pará.
- Divergências doutrinárias sobre o batismo no Espírito Santo levaram à saída do grupo e à reunião na casa de Celina Albuquerque, marcando o surgimento da Assembleia de Deus no Brasil.
- Entre os desafios atuais dos pentecostais estão a contextualização da fé na sociedade contemporânea, a preservação do pentecostal original, críticas à Teologia da Prosperidade, e a profissionalização da gestão e o uso intenso das redes sociais.
- As congregações da AD também atuam socialmente, oferecendo assistência, apoio emocional e integração em áreas de vulnerabilidade, buscando equilíbrio entre o carisma original e uma organização descentralizada.
No dia 18 de junho de 2026, as Assembleias de Deus no Brasil completam 115 anos de existência, marco relevante para a maior denominação evangélica do país, com dezenas de milhões de fiéis e milhares de igrejas em todo o território.
A origem remete ao trabalho missionário dos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que chegaram ao Brasil após experiências pentecostais nos Estados Unidos. Ao desembarcar em Belém do Pará, passaram a atuar inicialmente junto à Igreja Batista local.
Divergências doutrinárias sobre o batismo com o Espírito Santo levaram o grupo a se separar e se reunir na casa de Celina Albuquerque, no bairro Cidade Velha. A partir desse encontro, iniciou-se a formação da identidade pentecostal no Brasil.
Desafios contemporâneos
A atuação pentecostal hoje enfrenta a contextualização da fé na sociedade moderna, além da necessidade de manter práticas bíblico-apostólicas diante de críticas a modelos de gestão bem como às redes de atuação.
No campo teológico, o movimento busca preservar o batismo no Espírito Santo e as manifestações espirituais, sem que a burocratização vehicule distorções do brilho original.
As transformações organizacionais, com uso intenso de redes sociais, trazem dilemas sobre gestão e sobre a relação entre fé, cultura e mercado.
Perspectivas socioculturais
A Teologia da Prosperidade é alvo de críticas por supostos vínculos com valores neoliberais, especialmente em áreas periféricas, o que motiva debates sobre cidadania, igualdade e inclusão.
Culturalmente, o pentecostalismo enfrenta questionamentos sobre conservadorismo excessivo, intolerância religiosa e o enfrentamento de movimentos de diversas matrizes religiosas.
No Brasil, a presença das Assembleias de Deus é marcada pela expansão em periferias urbanas, onde o movimento atua também como polo de assistência, suporte emocional e integração social, preenchendo lacunas do welfare local.
Caminho futuro
Ao longo do tempo, a denominação precisa equilibrar flexibilidade descentralizada com a manutenção do carisma apostólico, evitando transformar-se em uma estrutura meramente burocrática.
As AD seguem atuando como referência de atividade comunitária, espiritual e social em regiões onde a presença do Estado é menos robusta, mantendo sua atuação de base.
As comemorações de 115 anos reafirmam a relevância histórica do movimento, ao mesmo tempo em que impõem a busca por equilíbrio entre tradição e inovação.
Referências
ALENCAR, Gedeon Freire de. Assembleia de Deus: Origem, Implantação e Militância (1911-1946). Arte Editorial, 2010.
ALENCAR, Gedeon Freire de. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleia de Deus (1911-2011). Novos Diálogos, 2013.
CONDE, Emílio. História das Assembleias de Deus no Brasil. CPAD, 1962.
DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. CPAD, 2004.
Ediudson Fontes é pastor auxiliar da Assembleia de Deus Cidade Santa (RJ) e pesquisador de teologia.
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