- Grupo de herdeiros contesta a autenticidade de 16 desenhos recentemente atribuídos a Tarsila do Amaral, gerando controvérsia sobre o espólio e a gestão de direitos da artista.
- A certificação de autenticidade foi feita por um comitê liderado pelo perito Douglas Quintale, após avaliação com técnicas modernas, a pedido da Tarsila do Amaral Licenciamento e Empreendimentos S.A. (TALE), empresa que gere os direitos da artista.
- Paola Montenegro, sobrinha-bisneta, assumiu a gestão da TALE; o grupo de herdeiros questiona a legitimidade dos métodos e acusa falhas no processo de certificação.
- O espólio da artista continua em disputa na Justiça, com Paulo Montenegro como inventariante, enquanto parte dos herdeiros busca destituição e questiona a administração da TALE.
- O caso segue sem definição sobre a titularidade da obra, enquanto cresce a expectativa de uma exposição imersiva de Tarsila, prevista para agosto, organizada por Paola Montenegro.
A controvérsia envolvendo herdeiros de Tarsila do Amaral ganhou novo capítulo com a contestação à autenticidade de 16 desenhos atribuídos à pintora. O grupo de familiares questiona a certificação divulgada após avaliação de um comitê liderado pelo perito Douglas Quintale, ligado à TALE, empresa que administra os direitos da artista, hoje sob Paola Montenegro.
A disputa envolve também a gestão do espólio e a condução de processos judiciais que já vinham marcando a relação entre as famílias. Paola Montenegro, sobrinha-bisneta da artista, assumiu a liderança da TALE após a saída de Tarsilinha do Amaral, e seu grupo vota pela validade das obras segundo critérios científicos aplicados aos 16 desenhos. Os irmãos e demais parentes contestam a metodologia.
Autenticação dos desenhos: como foi feito
Os desenhos surgiram em 2011, identificados pelo tradutor Alípio Neto, responsável pelo espólio de Frederico Barros. A produção teria sido encomendanda para acompanhar uma edição de 1925, que não foi publicada. A avaliação atual foi realizada por um comitê técnico com base em documentação de procedência, análises de materiais e avaliação estética.
Segundo o perito, o processo envolveu três etapas: rastreamento da origem, estudo de fibras, traços de lápis e correções da época, além de comparação com trabalhos do mesmo período. A conclusão foi de que os 16 desenhos são autênticos, com a localização de um desenho que completava o conjunto, reforçando a coesão histórica.
Divergência entre métodos e impactos no mercado
A divergência persiste entre a defesa da comissão Raisonné, que excluiu anteriormente os desenhos, e as críticas dos herdeiros, que defendem que a autenticação não pode ser aceita sem unanimidade no colegiado. A Associação das Galerias de Arte do Brasil reiterou a necessidade de participação do Raisonné para evitar impactos no mercado.
A partir de 2024, Paola defende que o método científico oferece segurança, transparência e credibilidade, citando avanços tecnológicos usados na grafotécnica, pinacologia e exames com luz ultravioleta, infravermelho e hiperespectrais. Paola sustenta que esse caminho moderniza a avaliação de autenticidade.
Conflitos internos e cenário atual do espólio
Na prática, o espaço para decisões sobre o espólio permanece em aberto. O inventariante nomeado é Paulo Montenegro, pai de Paola, mas parte da família busca destituição e contesta a atuação da TALE como gestora exclusiva. Em 2023, uma ação de concorrência desleal envolvendo a TALE foi extinta por falta de decisão sobre o espólio.
O caso principal tramita na 1ª Vara da Família e Sucessões de São Paulo, com decisão recente mantendo Montenegro como inventariante e exigindo depósitos de dividendos em conta judicial. Enquanto não houver partilha, não se define de forma definitiva quem tem autoridade sobre a obra de Tarsila do Amaral.
O que vem pela frente
Ambos os lados afirmam zelar pela preservação do legado da artista. A expectativa gira em torno de novos desdobramentos na partilha e de eventuais decisões judiciais sobre a autenticidade dos desenhos. Em agosto, está prevista uma exposição imersiva sobre Tarsila do Amaral em um novo espaço cultural no Conjunto Nacional, projeto comandado por Paola Montenegro.
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