- Grupo criminoso afirma vender dados de 248 milhões de brasileiros, supostamente extraídos da Receita Federal e atualizados até 2019, em fórum ilegal.
- A oferta inclui cerca de 78,7 gigabytes de dados, organizados em 24 bancos de dados SQLite, com amostras de cerca de 100 linhas de cada um.
- Segundo os criminosos, o conjunto também traz informações de empresas, endereços, contatos e parentesco; estimam 1,08 bilhão de registros únicos.
- Análise preliminar do TecMundo aponta indícios de autenticidade na amostra, com CPFs e CNPJs passando em validações oficiais e com tabelas de referência compatíveis com padrões da Receita Federal.
- O material está à venda por US$ 1.300; a Receita Federal não confirmou a brecha até o momento e o caso é tratado como rumor enquanto autoridades investigam o ocorrido.
Na madrugada desta quarta-feira (10), um grupo cibercriminoso anunciou a venda de supostos dados de 248 milhões de cidadãos brasileiros. A oferta, divulgada em fórum ilegal, afirma incluir 1,08 bilhão de registros únicos derivados da Receita Federal. Em resposta enviada exclusivamente à nossa apuração, os responsáveis dizem que as informações não são reaproveitadas e estariam atualizadas até 2019. A Receita Federal foi procurada pela reportagem e deve se manifestar em breve.
O material à venda é descrito como extenso e com alto nível de detalhe. Segundo os criminosos, haveria informações de empresas, cadastros, endereços, parentesco e contatos. O conjunto descompactado ocuparia cerca de 78,7 GB, dividido em 24 bancos de dados SQLite. Amostras com 100 linhas de cada banco acompanham a oferta para comprovar a extensão.
Para sustentar as alegações, os suspeitos disponibilizaram uma amostra que envolve 24 bancos, com uma “consulta” indicativa do conjunto completo. Caso confirmado, o vazamento poderia atingir a maioria dos cidadãos vivos, além de pessoas falecidas e estrangeiros com CPF. O material já foi encaminhado pela reportagem à Receita Federal para avaliação.
Análise inicial e contexto
De acordo com a avaliação preliminar, a amostra apresenta indícios de autenticidade, como CPFs e CNPJs com dígitos verificadores válidos. As tabelas de referência incluem unidades federativas, situações cadastrais, qualificações e códigos CNAE compatíveis com padrões da Receita.
O conjunto também registra números de CPFs, CNPJs, municípios e códigos DDD válidos segundo a Anatel. Entre os itens supostamente exclusivos estão nomes de mães, registros de consultas internas e dados de e-mail e telefone. O material está estruturado em tabelas de cadastros e de referência.
O grupo que afirma ter o material, identificado como Buddha, disse ao TecMundo que a extração ocorreu em 2026, por meio de exploração de um sistema antigo da Receita. Não foram detalhadas as técnicas e não há confirmação oficial de autenticidade pela autoridade fiscal.
Detalhes da oferta e próximos passos
O conjunto completo está à venda por US$ 1.300, conforme divulgado pelos criminosos. Na prática, isso equivale a pouco menos de R$ 7 mil, em câmbio atual. A autenticidade do material ainda não foi confirmada pela Receita Federal, e o caso é tratado como rumor até novo posicionamento oficial.
O TecMundo confirmou que recebeu as informações para análise com as autoridades competentes. O pedido é de cautela e verificação independente, dada a gravidade potencial do suposto vazamento. A reportagem acompanhará novas informações conforme forem divulgadas pelas partes envolvidas.
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