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Seis ditos e uma ração: Goiás registra economia da escrita no século XIX

Documento de quatro de março de mil oitocentos noventa e sete evidencia uso anafórico de “dito” na distribuição de rações a presos, revelando coesão textual oitocentista

Marcelo Módolo – Foto: Arquivo pessoal
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  • Em Goiás, a antiga Casa de Câmara e Cadeia, hoje o Museu das Bandeiras, guardava registros da vida cotidiana da cadeia pública.
  • Um documento de 4 de março de 1897 solicita gêneros alimentícios para presos da cadeia da capital goiana, com descrição de rações e distribuição.
  • O texto usa o recurso “dito (a)” para evitar repetir termos como “presos” e “ração”, mantendo a coesão.
  • A expressão “para 1 preso de duas rações / 6 ditos de uma dita” funciona como anáfora: refere-se a “presos” e a “rações” sem repetição explícita.
  • O caso ilustra como a escrita administrativa oitocentista priorizava economia de palavras e coerência textual, revelando práticas de coesão da época.

Na Cidade de Goiás, antiga capital da província, ergue-se a Casa de Câmara e Cadeia, prédio do século XVIII que abrigava a Câmara municipal no andar superior e a cadeia no térreo. Hoje, o edifício abriga o Museu das Bandeiras, vinculado ao Iphan, dedicado à memória regional.

Entre os registros deixados pela administração colonial, destaca-se um documento de 4 de março de 1897. Exposto no museu, ele registra um pedido de gêneros alimentícios destinados aos presos da cadeia da capital goiana. O texto é curto e utiliza linguagem administrativa direta.

O registro descreve a distribuição de ração para os detentos, em especial a divisão entre um preso recebendo duas porções e seis presos recebendo uma porção cada. Observa-se o uso de termos que evitam a repetição de substantivos, por meio de expressões como dito e ditas.

A explicação está na prática anafórica do período: ditos retoma presos, enquanto ditas refere-se às rações. Essa economia linguística era comum em documentos oficiais do século XIX, priorizando clareza e brevidade na gestão cotidiana.

Ao analisar o trecho, pesquisadores destacam que a escrita administrativa da época utilizava recursos de coesão para manter o fluxo do texto sem repetição explícita. O caso ilustra como a história da língua acompanha práticas institucionais.

O estudo, assinado por Marcelo Módolo e Henrique Braga, evidencia que pequenas escolhas formais ajudam a compreender a leitura de manuscritos históricos. O acervo do museu oferece, assim, uma janela para a rotina da cadeia no século XIX.

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