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Sobrevivência milagrosa de guia no Everest expõe dilemas da indústria do turismo

Sobrevivência improvável de guia no Everest levanta perguntas sobre protocolos de resgate, possível negligência da operadora e riscos da indústria de turismo de alta altitude

A notícia de que Hillary Dawa Sherpa (à esquerda) sobreviveu após passar seis dias desaparecido no Everest ganhou manchetes internacionais e repercutiu entre montanhistas
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  • Hillary Dawa Sherpa, guia de 57 anos, desapareceu durante a descida do Everest e foi encontrado seis dias depois em estado debilitado, sendo levado de helicóptero a um hospital em Katmandu.
  • Ele havia sido contratado como cozinheiro, mas atuou como guia para dois alpinistas na tentativa de chegar ao topo; a HTA afirma que ele foi realocado devido a doença de outro guia.
  • O grupo começou a descida do Acampamento 4, a 7.920 metros, em 29 de maio; Dawa Sherpa ficou para trás perto do Acampamento 3, cerca de 7.200 metros, sem oxigênio suficiente.
  • A família e alguns envolvidos questionaram a negligência da HTA, enquanto as buscas começaram apenas após o desaparecimento, em datas entre 30 de maio e início de junho, sem sucesso inicial.
  • O caso levanta questões sobre a indústria do turismo de alta altitude e a segurança de guias locais; a HTA argumenta que as más condições climáticas atrasaram os resgates e que a 8K Expeditions deveria ter responsabilidade logística.

O guia Hillary Dawa Sherpa, de 57 anos, foi encontrado vivo após desaparecer durante uma expedição ao Everest. Ele havia se separado do grupo há seis dias enquanto o grupo descia pela rota sul, a 7.5 mil metros de altitude, e reapareceu em estado de exaustão com queimaduras pelo frio. A recuperação ocorreu em Katmandu, no Nepal, após ser levado de helicóptero a um hospital.

A equipe de limpeza que recolhia lixo nas encostas superiores avistou o homem vestindo um macacão azul brilhante aos pés da Cascata de Gelo do Khumbu. Doze dias antes, a família de Dawa Sherpa já havia iniciado rituais fúnebres, acreditando na sua morte.

Dawa Sherpa estava empregado originalmente como cozinheiro no Acampamento 2, a cerca de 6.000 metros. Segundo a HTA, ele atuou como substituto de um guia que adoecera no acampamento-base durante a escalada, decisão tomada para ajudar o grupo realizar a subida ao cume.

O grupo incluía o alpinista britânico Chris Thrall e o polonês Mariusz Chmielewski, além de Pasang Kaji Sherpa. Thrall descreveu que o guia parou para descansar sobre a mochila perto do Acampamento 3, quando já enfrentavam forte tempestade de neve e quase não havia oxigênio disponível.

Horas de decisão sob condições extremas levaram Thrall a priorizar a permanência com o colega mais vulnerável, o que, segundo ele, acabou por comprometer a sequência do resgate. Os dois restantes seguiram descendo com parte do oxigênio restante, mantendo lembranças de mensagens de despedida gravadas para familiares.

O grupo alcançou o Acampamento Base após cerca de 38 horas de descida. Na altura, Dawa Sherpa já era considerado desaparecido. A família e alguns envolvidos contestam a narrativa de negligência, destacando falhas nas buscas que só começaram após o desaparecimento ter sido comunicado, em 30 de maio.

Desdobramentos indicam que a HTA foi informada pela 8K Expeditions, parceira na emissão de licenças, sobre o sumiço de Dawa Sherpa, mas houve atraso nas ações de busca por condições climáticas adversas. A 8K Expeditions nega responsabilidade direta na operação de resgate.

Especialistas dizem que cozinheiros de acampamento raramente são treinados para escalar até o cume, o que alimenta debates sobre a preparação da indústria de turismo de alta altitude. A HTA afirma que as condições climáticas inviabilizaram intervenções imediatas e que a busca foi realizada assim que possível.

A polícia do Nepal investiga a caso por possível negligência, e o Departamento de Turismo analisa responsabilidades da empresa. A família de Dawa Sherpa afirma que houve falha na proteção dos trabalhadores e cobra providências legais contra a HTA.

O resgate foi descrito por parceiros da HTA como um esforço conjunto para localizar o guia desaparecido, e a HTA sustenta que a empresa não abandonou o grupo, mas reconhece a complexidade das operações diante de tempestades contínuas. O caso reacende o debate sobre padrões de segurança na indústria de turismo de montanha de alta altitude.

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