- Vlkolínec, vila na Eslováquia central, recebeu Patrimônio da Humanidade em 1993; possui cerca de vinte moradores e quarenta e cinco casas de campo.
- Moradores defendem a retirada da designação, citando impactos do turismo e benefícios da lista que não seriam suficientes.
- Na Tanzânia, a Aliança Maasai pediu a remoção da Área de Conservação de Ngorongoro, apontando deslocamentos de comunidades de pastoreio por políticas de proteção.
- A Unesco reconhece que o turismo pode desafiar e também financiar a preservação; a organização busca planos de gestão de visitantes para reduzir superlotação e preservar o patrimônio.
- Historicamente, a Unesco já removeu três locais da lista (Santuário do Órix-da-Arábia, em Omã; Vale do Elba, em Dresden; Liverpool); não há previsão de votação sobre Vlkolínec ou Ngorongoro na próxima sessão.
A UNESCO mantém uma lista de Patrimônios da Humanidade para lugares de valor cultural ou natural excepcional. A designação pode ampliar a visibilidade de locais e viabilizar financiamento para conservação, mas também aumenta o turismo e pode exigir mudanças nas comunidades locais. A reportagem analisa casos que levantam o debate sobre impactos reais da lista.
Vlkolínec, na Eslováquia, é um vilarejo medieval com cerca de 20 moradores. Suas 45 casas coloridas cercam um campanário do século 18. Em 1993, a UNESCO reconheceu o conjunto como Patrimônio, atraindo mais de 100 mil visitantes por ano, o que divide opiniões entre moradores.
Alguns habitantes defendem a retirada da lista, afirmando que o turismo excede a capacidade da comunidade de manter sua forma de vida. A tensão entre preservação e qualidade de vida local alimenta o debate sobre os benefícios reais da inclusão na lista.
Vlkolínec e Ngorongoro sob pressão
A 7 mil quilômetros dali, na Tanzânia, a Área de Conservação Ngorongoro é defendida por comunidades Maasai que pedem a remoção do espaço da Lista. Alegam que políticas de conservação resultaram no deslocamento de pastores de suas terras ancestrais.
A área abriga vida selvagem icônica e oferece safáris famosos, mas moradores dizem que o status internacional diminuiu o controle local sobre o território, afetando sua subsistência tradicional. O tema evidencia um choque entre interesses comunitários e conservação.
A atuação da UNESCO frente ao turismo
A UNESCO reconhece que o turismo pode comprometer a integridade de um sítio. Representantes dizem que hoje é comum exigir planos de gestão de visitantes para equilibrar conservação e visitação. O objetivo não é desencorajar visitas, mas tornar o turismo parte da solução.
Especialistas destacam que a exposição pública de locais cria expectativas de visitação cada vez maiores. Estudos apontam que a visibilidade internacional aumenta o fluxo de turistas, o que pode acelerar mudanças locais.
Transformação de cidades históricas com o tempo
Veneza tornou-se símbolo de turismo intenso desde sua inscrição em 1987, com impactos na vida de moradores. Em Lijiang, na China, o turismo elevou o fluxo de visitantes e alterou o cotidiano. Marrakech também viu impactos na dinâmica de moradia e comércio na medina.
Pesquisadores discutem a ideia de museificação, ou seja, o movimento de comunidades vivas para ambientes mais voltados a visitantes. A questão envolve autenticidade e a forma de preservar o que torna um lugar único.
O que pode levar à retirada da designação
Até hoje, a UNESCO removeu três locais da lista, sempre por questões de conservação. Em 2007, o Santuário do Órix-da-Arábia foi excluído após reduzir áreas protegidas. Em 2009, o Vale do Elba perdeu o status com a construção de uma ponte. Em 2021, Liverpool foi retirado por disputas de revitalização.
Casos de retirada não significam automaticamente menos turismo. Em alguns lugares, o fluxo de visitantes permanece estáveis ou cresce por outras razões ligadas à identidade local e à cultura, mesmo sem o status de Patrimônio.
Perspectivas futuras e limites da intervenção
Especialista aponta que a retirada da designação não resolve, por si só, as dificuldades enfrentadas pelos moradores. A solução depende de planejamento de conservação que envolva economia, infraestrutura e povos locais. A UNESCO não possui mecanismo específico para casos em que o brilho turístico prejudica a vida comunitária.
O debate atual ressalta que proteger patrimônios não é apenas preservar estruturas, mas manter as comunidades vivas. O equilíbrio entre turismo, preservação e bem-estar local permanece como desafio central na gestão dos sítios mundialmente reconhecidos.
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