- Uma jovem de 21 anos morreu em Limeira, interior de São Paulo, após ser lançada de uma ponte durante salto de rope jump sem a devida corda de segurança.
- O grupo que oferecia a atividade não possuía CNPJ, fazia agendamentos pelo WhatsApp e recebia pagamentos por Pix a uma pessoa física.
- Três homens foram presos em flagrante por homicídio; a polícia indicou que houve abandono da corda de proteção e fuga ao perceber a presença de um policial.
- Autoridades afirmam que não havia padrão ou protocolo de gerenciamento de riscos na operação e criticam a falta de fiscalização no turismo de aventura.
- A prefeitura de Limeira vai processar o governo federal por omissão; a Secretaria de Patrimônio da União informou que a ponte pertence a trecho não implementado de rede ferroviária e não autorizou atividades no local.
O caso aconteceu em Limeira, no interior de São Paulo, e envolve a morte de uma jovem durante uma atividade de rope jump. Três homens que operavam o salto foram presos em flagrante por homicídio, após a vítima, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ser lançada de uma altura de cerca de 30 metros sem que a corda de segurança estivesse presa. A prática ocorreu em um local não autorizado e sem regularização formal.
O episódio teve início a partir de um convite feito por meio de rede social para participar do salto, com pagamento via Pix e agendamento pelo WhatsApp. Segundo o boletim de ocorrência, a corda de proteção não estava fixa no momento do lançamento, o que causou a queda da vítima. O grupo que oferecia a atividade não possuía CNPJ e não apresentava um padrão de gerenciamento de riscos.
O farmacêutico Rodrigo Ratochinski, de 28 anos, afirma ter participado do salto no mesmo local há um mês, com o mesmo grupo de instrutores. Ele relata que a confirmação de agendamento dependia apenas de identificação na linha de cobrança e de uma senha recebida pelo cliente. Também relata que não assinou termo de responsabilidade nem recebeu alerta de risco, ainda que tenha percebido sinais de segurança na apresentação inicial.
Falhas de segurança e investigações
As autoridades indicam que o grupo não tinha protocolos de segurança ou de gerenciamento de risco para a atividade. A polícia informou que dois suspeitos teriam fugido e trocado de roupas após o resgate. Um vídeo de testemunha, gravado na fila de participantes, mostra o momento do lançamento sem proteção visível.
A investigação aponta dolo eventual, já que os envolvidos teriam assumido o risco sem adotar as cautelas mínimas exigidas para uma atividade de alto risco. O juiz responsável manteve a prisão dos suspeitos. O advogado de defesa disse que os clientes não tinham explicação para o ocorrido e que atuavam há anos sem incidentes anteriores.
Fiscalização e responsabilidades públicas
A prefeitura de Limeira afirmou que acionaria o governo federal por omissão na fiscalização, já que a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à ponte é da União. A Secretaria de Patrimônio da União informou que a ponte pertence a um trecho de rede ferroviária federal ainda não implementado e que não autorizava atividades esportivas no local. Desde 2024, a SPU diz ter pedido apoio a prefeituras para bloquear o acesso, mas o local foi liberado.
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