- Baianas de acarajé são guardiãs de sabor e tradição afro-brasileira, com o prato ligado à fé dos orixás; o acarajé nasceu no século XVIII e também funcionou como sustento econômico e símbolo de resistência.
- O processo envolve feijão-fradinho batido com cebola e sal, fritura em azeite de dendê e recheios como vatapá, caruru, vinagrete e camarões, tudo executado com significado espiritual e cultural; a vestimenta completa também faz parte do ofício.
- Em Salvador existem cerca de 3,5 mil baianas; no Brasil, aproximadamente 10 mil pessoas atuam na atividade, sendo 90% mulheres.
- A atividade foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2005; o governo da Bahia oferece cursos para aperfeiçoar o ofício, combinando tradição e modernidade.
- Em Salvador, no fim de 2025 foi inaugurada a primeira efígie de uma baiana de acarajé, em praça pública, e o uso do Microempreendedor Individual (MEI) facilita acesso a benefícios como aposentadoria e salário-maternidade.
A Baiana do Acarajé é símbolo da resistência afro-brasileira, unindo fé, ancestralidade e sustento. Os bolinhos de feijão com dendê financiaram terreiros e cartas de alforria, consolidando a profissão como centenária, feminina e sagrada.
A prática remonta ao século 18, quando escravas de ganho vendiam comidas nas ruas de Salvador, Recife e Rio de Janeiro. Além de renda, muitas garantiram a própria liberdade, usando o tabuleiro como forma de resistência.
O acarajé nasceu da tradição iorubá, com o termo acará jé significando fogo e comer. Ao atravessar o Atlântico, manteve-se como alimento ritual e econômico, conectando sabor e espiritualidade.
Reconhecimento e legado
Em 2005, o ato ganhou status de patrimônio cultural imaterial pelo IPHAN. O Governo da Bahia oferece cursos que combinam técnicas culinárias, empreendedorismo e boas práticas, unindo tradição e modernidade.
Salvador teve uma homenagem recente: no fim de 2025 foi inaugurada a primeira efígie de uma baiana de acarajé, Cira do Acarajé, na praça Oxum Baeté, em Itapuã, onde fica uma barraca conhecida.
Dados e alcance
Segundo a ABAM, apenas em Salvador existem cerca de 3,5 mil baianas. Ao todo, no Brasil, cerca de 10 mil pessoas atuam na atividade, 90% delas mulheres. A profissão funciona como fonte de renda e patrimônio cultural.
Entre os elementos do ofício, o quinhão culinário envolve feijão-fradinho, cebola e sal, fritura em azeite de dendê e recheios como vatapá, caruru e camarões. A indumentária completa o conjunto: saia, pano da costa, turbante e contas.
Formalização e impactos sociais
Ao formalizarem o negócio como MEI, as baianas asseguram benefícios como aposentadoria e salário-maternidade. Dessa forma, o tabuleiro também se transforma em instrumento de cidadania e proteção social.
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