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Morte em salto de corda em SP: diferença entre negligência e dolo

Justiça mantém prisão preventiva de três instrutores em Limeira por homicídio com dolo eventual, ao entender que risco foi aceito no salto

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  • Mulher de 21 anos morreu ao ser lançada da Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), sem corda de segurança; prisões de três instrutores foram convertidas em preventivas.
  • Caso é apurado como homicídio com dolo eventual, discutindo a diferença entre negligência e aceitar o risco de morte.
  • Justiça afirma que, por ser atividade de alto risco, a ausência de dupla checagem e o arremesso sem equipamento essencial vão além de erro técnico.
  • Especialistas dizem que irregularidade da empresa Entre Cordas (sem CNPJ nem autorização) pode influenciar a análise de culpa e que a responsabilidade pode chegar à cadeia de comando.
  • Depoimentos apontam falhas no protocolo de segurança; câmera GoPro da jovem sumiu e alguns instrutores teriam trocado de roupa e tentado deixar o local após o acidente.

A Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva de três instrutores de Limeira, após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, ocorrida no último sábado, na Ponte do Esqueleto. A vítima foi lançada sem a corda de segurança durante salto de rope jump. O caso é registrado como homicídio com dolo eventual, o que gera debates sobre negligência versus aceitação do risco.

A decisão considera a atividade de alto risco e aponta ausência da dupla checagem e o arremesso sem equipamento essencial como conduta que extrapola erro técnico. O inquérito também destaca histórico de acidentes no local, elevando a previsibilidade de danos.

A visão das especialistas

Para a advogada Ana Krasovic, a irregularidade administrativa da empresa Entre Cordas, sem CNPJ e sem autorização municipal, pode influenciar a análise de culpa ou dolo, ainda que não determine responsabilidade criminal automática. Beatriz Alaia Colin, especialista em Processo Penal, alerta que a responsabilização pode alcançar a cadeia de comando da empresa, incluindo gestores e decisores.

Ela ressalta que a investigação deve verificar se os responsáveis criaram, fiscalizaram e exigiram o cumprimento de protocolos de segurança para evitar o acidente. A avaliação técnica aponta falhas na supervisão e na adesão a procedimentos de segurança durante o salto.

Falhas nos protocolos de segurança

Depoimentos indicam que os operadores não conseguiram explicar a omissão da corda, citando lapsos de memória. Testemunhas apontam que o procedimento de segurança — fixação no peitoral e verificação verbal — foi ignorado durante o salto de Maria Eduarda.

Também é mencionada a tentativa de alguns envolvidos de deixar o local e trocar de roupa após o acidente, o que é visto como indicativo de desconsideração pelas consequências. A análise técnica considera esse comportamento relevante para a investigação.

Obstruções e ocultações

Relatos de testemunhas mencionam a retirada de uma câmera GoPro acoplada ao corpo da vítima por um funcionário da Entre Cordas logo após a queda de cerca de 40 metros. O equipamento não foi localizado pela polícia. O desaparecimento do vídeo poderia detalhar falhas nos protocolos de segurança.

Além disso, a presença de relatos de que instrutores não cooperaram plenamente, mantendo silêncio quando questionados, é analisada como possível indício de obstrução à apuração.

A dinâmica do acidente

Segundo a investigação, Maria Eduarda realizaria o primeiro salto na modalidade aviãozinho, em que o praticante é erguido e lançado pelos instrutores. A delegada responsável considerou que houve aceitação do risco, ao não adotar cautelas indispensáveis em atividade de alto risco.

A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva com base na periculosidade da conduta e na necessidade de manter a ordem pública. O caso segue sob apuração da Delegacia Seccional de Limeira.

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