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SP e RJ não reconhecem preso nos EUA como chefe do PCC/CV; extorsão

PF e polícias de SP e RJ não reconhecem Dell Aquilla como líder do PCC ou do CV; mandado é por extorsão e ele já tem condenação no Brasil

Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla, o Don — Foto: Divulgação
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  • Autoridades de São Paulo e do Rio de Janeiro não reconhecem Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla como integrante relevante ou chefe de facções criminosas PCC ou CV; ele tem condenação de nove anos e sete meses no Brasil.
  • Dell Aquilla é réu em processo em Campos do Jordão por aplicar golpe em hotel de luxo, cuja denúncia indica que ele se hospedou e retornou o valor, deixando prejuízo ao estabelecimento.
  • A polícia americana informou que ele era alvo de uma ordem de captura internacional por associação criminosa e extorsão, e que foi preso após uma perseguição na Carolina do Norte, com a esposa mantida como refém.
  • Na operação nos EUA, o carro utilizado por ele foi interceptado durante fiscalização; dentro do veículo foram encontrados arma, dinheiro e celulares.
  • O caso ocorre em meio a discussões sobre a designação de PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos, que em maio de 2025 pediu a classificação, embora o governo brasileiro tenha se oposto.

Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, identificado pela imprensa internacional como “Don” ou “Dom”, não é considerado pelas autoridades brasileiras como líder ou integrante relevante de facções criminosas no Brasil. Em relatório conjunto obtido pelo g1 e pela GloboNews, PF, Ministérios Públicos de SP e RJ, e as polícias civis disseram não reconhecer o investigado como quem ocupe posição de comando no PCC ou no CV. Dell Aquilla tem, ao todo, uma condenação de nove anos e sete meses de prisão por extorsão no Brasil.

Os investigadores não encontraram registro de vinculação formal dele a facções no território nacional. Em São Paulo, não houve nenhuma pista de que Dell Aquilla integrasse o PCC ou fosse faccionado, nem entrada em penitenciárias paulistas. A apuração aponta ainda que o réu atua no ramo do entretenimento e já teve ligação com uma produtora musical alvo de investigação por lavagem de dinheiro.

Golpe em Campos do Jordão

Dell Aquilla é réu em processo envolvendo golpe contra o Hotel Botanique, em Campos do Jordão, em 2018. Segundo a denúncia, ele pagou duas diárias para um casal, pediu reembolso à operadora de cartão e tentou encobrir a reserva, alegando não reconhecê-la. O hotel afirmou que o réu esteve hospedado sob o veículo de sua titularidade e utilizou o mesmo cartão.

A defesa do estabelecimento sustenta que Dell Aquilla foi quem ocupou o quarto, conforme registro do carro BMW usado na data. Desde 2018, a polícia e a Justiça tentam localizá-lo, e ele responde ao processo à revelia. O caso também envolve histórico de agressão a uma ex-namorada e disputas relativas à devolução de imóvel.

Prisão nos Estados Unidos

De acordo com o ICE, Dell Aquilla foi capturado após perseguição na Carolina do Norte. O órgão informou que havia ordem de captura internacional expedida pelo Brasil por associação criminosa e extorsão. Em Mooresville, o suspeito tentou fugir em veículo com a esposa retida como refém; o carro se envolveu em acidente durante a abordagem.

Durante a operação, agentes apreenderam arma de fogo, dinheiro e celulares. Recursos brasileiros acompanham a apuração das circunstâncias, incluindo o possível vínculo financeiro com membros do PCC e do CV, conforme investigações. As autoridades brasileiras não confirmam liderança ou participação relevante nas facções.

Contexto internacional

Em 28 de maio, os EUA incluíram PCC e CV na lista de organizações terroristas, contrariando oposição brasileira. Em 2025, o governo brasileiro havia sido convidado a classificar as facções como terroristas, pedido que não prosperou. A definição legal de terrorismo no Brasil, adotada em 2016, exige atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito.

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