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Garimpeiros ilegais adaptam estratégias no território Yanomami

Garimpo ilegal reduz áreas em Yanomami, mas invasores migraram para fronteiras e floresta, mantendo risco de malária para povos isolados

The Mucajaí River, in the Homoxi region in Yanomami territory, has been recovering after most of the illegal gold miners were expelled from the Indigenous land.
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  • Relatório aponta queda significativa do garimpo ilegal no território Yanomami entre 2023 e 2025, mas a atividade não acabou, com invasores se movendo para fronteiras e áreas remotas.
  • De 2023 a 2025, houve redução de novos frentes de garimpo em 99%; os garimpeiros passaram a atuar mais nos limites do território e em áreas de fronteira com a Guiana e a Venezuela.
  • Em 2024 e 2025, o garimpo atingiu 129 hectares, menor que os cerca de 1.800 hectares de 2022.
  • O governo, desde 2024, realizou mais de 10 mil ações de fiscalização na região, resultando na apreensão de ouro, veículos, barcos, armas, mercúrio e na destruição de acampamentos, pistas de avião, entre outros itens.
  • O risco aos povos isolados persiste, com preocupações sobre malária associada ao garimpo; custos elevados e logística dificultam as operações e a proteção territorial.

Na Terra Indígena Yanomami, no território brasileiro, autoridades reportam mudança nas estratégias de garimpo ilegal desde 2023. Dados indicam queda expressiva na área de mineração entre 2023 e 2025, décimo menos espaço aberto para novas atividades. A diminuição é atribuída a ações federais iniciadas em 2023.

Segundo o levantamento, a atividade explosiva diminuiu, com a área afetada caindo de cerca de 1.800 hectares em 2022 para 129 hectares em 2024-2025. No entanto, pesquisadores alertam que o garimpo não acabou e que os invasores migraram para as bordas e para áreas menos visíveis.

Dávalo Dário Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara, afirmou que ainda há garimpeiros atuando, especialmente em pontos de fronteira com Guyana e Venezuela. Ele ressalta que grandes acampamentos foram eliminados, mas pequenos grupos persistem em locais isolados.

Mudança de foco e desafios logísticos

O Governo estima queda de 99% na abertura de novas áreas desde 2023, mas reconhece deslocamento para o interior da floresta. Operações atuais demandam maior tempo de deslocamento, com caminhadas longas até 100 quilômetros para alcançar áreas de uso artesanal.

O governo descreve a ação como fase de varredura, com dificuldades para identificar pontos de garimpo por meio de imagens de satélite. Em períodos de chuva, as operações enfrentam ainda maiores obstáculos logísticos, incluindo restrições de voos.

Desde 2024, o governo afirma ter realizado 10.554 ações de fiscalização na região, com apreensões de 249 kg de ouro, 184 veículos, 51 embarcações, 164 armas e mais de uma tonelada de mercúrio. Também houve destuação de acampamentos, aeródromos, barcos e equipamentos diversos.

Preços e impactos econômicos

O garimpo na região tornou-se mais caro devido às dificuldades impostas pelas operações. Um grama de ouro é estimado em 750 reais na capital Boa Vista, elevando o valor total de apropriações desde 2024. A logística restrita aumenta o custo de manter as operações, com impactos no comércio local.

Especialistas apontam que o garimpo ilegal está cada vez mais fragmentado, com menos acampamentos visíveis e maior atuação em grupos menores. Os pesquisadores destacam que a presença dispersa dificulta o monitoramento e a contenção.

Risco para povos isolados

Ainda na área, comunidades isoladas como o grupo Moxihatëtëma Thëpe permanecem em situação vulnerável. Relatórios de 2023 indicaram pontos de garimpo próximos a esses povos, com rotas de fuga que poderiam colocá-los em contato com invasores. Em 2025, houve redução, mas não neutralização completa.

Especialistas e representantes das redes de saúde indígena destacam que a mineração ilegal aumenta o risco de malária para povos isolados. O Ministério da Saúde registrou queda de transmissão da doença entre 2023 e 2025 e redução de óbitos, resultado de ações de vigilância e atendimento de saúde na área.

Perspectiva de continuidade das operações

As autoridades indicam que a presença residual de garimpo ilegal na Yanomami exige monitoramento contínuo e ações integradas de proteção territorial. Funai e outros órgãos reiteram a necessidade de manter operações constantes para consolidar os avanços.

A depender das condições, as autoridades continuam a planejar estratégias para neutralizar a atividade ilegal, incluindo ações em pontos de difícil acesso e reforço de equipes de fiscalização e saúde. O objetivo é reduzir ainda mais a presença de garimpo na região.

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