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Irritabilidade infantil: quando é motivo de preocupação

Irritabilidade infantil pode sinalizar transtorno disruptivo da desregulação do humor, definindo tratamento e impactos na vida da criança

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  • O Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor (TDDH) combina irritabilidade persistente e explosões de raiva frequentes, ocorrendo por pelo menos um ano em ambientes diferentes.
  • Difere do transtorno bipolar pediátrico: no TDDH a irritabilidade é contínua, não episódica.
  • O diagnóstico é clínico, feito por avaliação de saúde mental infantil, com início antes dos 10 anos e confirmação entre 6 e 18; crises precisam ocorrer em mais de um ambiente.
  • Pode ser confundido com TDAH e TOD; a avaliação especializada é essencial para evitar diagnósticos equivocados.
  • O tratamento envolve corregulação parental, limites firmes e psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental ou terapia comportamental dialética adaptada para crianças); medicação é considerada apenas se houver prejuízo funcional significativo ou comorbidades.

A irritabilidade infantil pode sinalizar transtornos quando vai além da birra típica da idade. Especialistas destacam que, em alguns casos, a criança apresenta irritação crônica associada a explosões de raiva frequentes e sofrimento real.

O transtorno disruptivo da desregulação do humor, ou TDDH, é o foco desta avaliação. Ele se distingue de comportamentos normais por ocorrer de forma recorrente, desproporcional e persistente em diversos ambientes, afetam a convivência familiar e escolar e persistem por mais de um ano.

Para entender o quadro, a neuropediatra Beatriz Casella, do ICr/HCFMUSP, destaca que as explosões costumam ocorrer pelo menos três vezes por semana e em várias situações. O diagnóstico envolve avaliação clínica especializada, não há exame definitivo. A necessidade de diferencial com TDAH e TOD é enfatizada.

Como o TDDH surge

O que explica o transtorno envolve a amígdala cerebral, ligada ao reconhecimento de emoções. Crianças com TDDH podem interpretar situações neutras como ameaçadoras, elevando a reatividade emocional. Esse viés de interpretação hostil ajuda a entender as crises intensas.

Além disso, o processamento emocional pode apresentar menor resposta a estímulos positivos e maior sensibilidade a sinais de frustração, o que pode manter a irritação entre crises. A avaliação cuidadosa é essencial para evitar diagnósticos equivocados.

Diferenças em relação à irritação comum

Crises de choro e irritação extrema podem ocorrer normalmente nos primeiros anos. Contudo, no TDDH as crises são crônicas, ocorrem em mais de um ambiente e se repetem ao longo do tempo, com funcionamento alterado entre as crises. A criança permanece emocionalmente sensível na maior parte do tempo.

O principal sinal de alerta é como a criança se sente entre as crises. Sem tratamento, pode haver impacto significativo no desenvolvimento social e emocional, com consequências para a escola e as relações.

Caminhos de cuidado

O tratamento envolve intervenção psicoterapêutica, acompanhamento multiprofissional e manejo parental. A participação dos pais é vista como reguladora emocional essencial no início do desenvolvimento, com foco em corregulação para reduzir a intensidade de conflitos.

Limites claros e ausência de negociações durante crises ajudam a criança a aprender autocontrole. Entre as abordagens recomendadas estão a terapia cognitivo-comportamental e a terapia comportamental dialética adaptada para crianças. Medicação é considerada apenas em casos com prejuízo funcional evidente e resistência à psicoterapia.

Considerações finais

Especialistas alertam para evitar estratégias adversas, como gritar ou recorrer à punição física, que podem piorar a irritabilidade. O diagnóstico correto depende de avaliação clínica especializada e do acompanhamento próximo dos familiares e da escola, com foco em melhora funcional e qualidade de vida.

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