- Pistoleiros que mataram três pessoas em Lábrea, Amazonas, no dia 25 de abril, usaram fuzil AR‑15 e pistolas; a vítima incluía um adolescente de 14 anos em área de conflitos agrários.
- Em depoimento à polícia obtido pela Folha, os suspeitos apontaram a família Coelho Diniz, de Minas Gerais, como mandante do crime, afirmando que Moisés Diniz ordenou o ataque.
- Um dos presos, Lucas Pessoa dos Santos, disse que trabalhava para os Diniz desde 2020 e que recebeu a “ordem” de Moisés, mas, no dia seguinte, mudou a versão sob pressão policial.
- Moisés Diniz negou ser mandante e afirmou não ter participação nem conflitos na região; o advogado afirmou que o nome dele não consta como investigado.
- A investigação foi desmembrada e segue para apurar a possível participação de mandantes; a região possui histórico de disputas por terra e violência, com atuação da família Coelho Diniz no setor.
O ataque ocorreu na tarde de 25 de abril, em área de conflito agrário na região de Lábrea, no Amazonas. Pistoleiros usaram um fuzil AR-15 e pistolas para capturar e executar três pessoas, entre elas um adolescente de 14 anos, e ferir outra vítima que sobreviveu. O crime ocorreu próximo à BR-317, na divisa de Lábrea com Boca do Acre.
Dois homens foram detidos horas depois e confessaram a autoria. Eles indicaram que o mandante seria Moisés Diniz, filho do empresário Alex Sandro Coelho Diniz, ligado ao Grupo Coelho Diniz. Lucas Pessoa dos Santos, 26, afirmou ter trabalhado para a família desde 2020 e recebeu o pedido para enfrentar invasores nas fazendas.
Na delegacia, Lucas posteriormente mudou a versão, alegando pressão policial para nomear o mandante. Edenilson Silva dos Santos, 34, foi preso no mesmo dia. O caso está sob investigação, com desmembramento de inquérito para apurar possível participação de mandantes.
A família Coelho Diniz é conhecida por atuação no setor de supermercados e pelo envolvimento regional em Minas Gerais. O grupo detém participação no Grupo Pão de Açúcar e possui propriedades na área da chacina. Moisés Diniz negou veementemente qualquer participação, afirmou não ter conflitos na região e disse que seu nome não consta como investigado.
Os traços do caso indicam uso de arma fornecida pela organização, com relatos de que o fuzil teria origem em território internacional. A polícia apreendeu a motocicleta usada no crime, registrada em nome de Paulo Oliveira da Silva, administrador da Agropecuária CD, ligada a Moisés Diniz.
A vítima central era Josias Albuquerque de Oliveira, pai de família que trabalhava na lavoura, acompanhada pelo sobrinho de 14 anos e por outro homem. Um terceiro ocupante que sobreviveu relatou que o adolescente pediu ajuda antes de morrer, segundo o inquérito.
O inquérito aponta disputas fundiárias locais e uregistras de violência na região. Parentes das vítimas e lideranças locais temem que a apuração sofra entraves pela influência da família investigada. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que o caso segue em apuração específica, sem data de conclusão anunciada.
Entre na conversa da comunidade